Movimentos sociais, partidos políticos e entidades sindicais unidos no Ceará em defesa da democracia

No Ceará, a forte mobilização da população, movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos têm renovado o sentimento de unidade em defesa da democracia. A equipe da TV Democracia conversou com representantes de várias entidades para saber a opinião. Afinal, impeachment sem crime de responsabilidade é golpe?

Para a representante do Movimento dos Trabalhadores Urbanos (Motu), Carol, o entendimento é de que “a conjuntura política é ofensiva aos trabalhadores com a retirada de direitos”, o que faz com que a luta seja diária.

É de conhecimento público fatos como o manifesto apresentado pelo PMDB “Ponte para o Futuro”, uma proposta que mira os interesses da elite e deixa, em segundo plano, a maioria do povo brasileiro.

O documento peemedebista prega o fim das despesas constitucionais obrigatórias com saúde e educação, cujos valores passariam a ser estabelecidos no orçamento, anualmente. Outro ponto apresentado é o fim de todas as indexações, inclusive para salários e benefícios da previdência. As leis ambientais também ficarão fragilizadas, bem como a distribuição dos royalties do petróleo para investimento em educação e saúde. Estes são apenas alguns dos pontos da ponte que, possivelmente, projetará todas as conquistas históricas do povo trabalhador não para o futuro, mas sim para um abismo.

O presidente do PT Ceará, Francisco de Assis, acredita que o impeachment não pode substituir as eleições. Para o dirigente, tudo que foi construído ao longo da República e, em especial, dos últimos 12 anos, será dado de bandeja para o capital internacional. “Cabe atenção de todos nós, seja nas ruas, seja na mobilização visando a disputa que será feita na votação do dia 17”, pontua.

Flávio Vinícius, do PC do B, é outro que sabe: impeachment sem crime político é golpe. “O movimento que estão fazendo para derrubar a presidenta Dilma, sem crime de responsabilidade, é um golpe”, esclarece. Pensamento este que também compartilha o advogado Nivardo Melo, do movimento Juristas pela Legalidade e Democracia. “Somos pela legalidade, pela estabilidade do Estado Democrático de Direito e tudo que decorre do ordenamento jurídico”, argumenta.

A Igreja é outra instituição que vem se posicionando favorável pelo respeito e manutenção do Estado Democrático de Direito. Entrevistado pela equipe da TV Democracia, o Padre Hermano conta que as igrejas registraram seus respectivos documentos, preocupadas com o respeito à democracia. “Tem todo um movimento golpista que quer absolutamente cancelar as conquistas obtidas. Os interesses são tão grandes que não querem enxergar, de fato, as necessidades básicas a que todo mundo tem direito: alimentação, escola, saúde, uma renovação das cidades para que sejam mais humanas”.

O integrante do Levante Popular da Juventude, Paulo Henrique; bem como o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Will Pereira; e Suerda, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também foram categóricos: o impeachment da presidenta Dilma está sendo uma nova tentativa de golpe da democracia, um avanço que a derrotada direita tenta para voltar ao poder. Confira!