Movimentos vão às ruas no 1º de maio em defesa dos trabalhadores e da democracia

Por Rafael Mesquita | Comunicadores pela Democracia

Foto: Marcos Adegas | Arquivo Fetamce

Em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora, a CUT Ceará, a CTB Ceará, a Frente Brasil Popular e o movimento Ceará Contra o Golpe, além de outras dezenas de entidades que compõem a luta em defesa da Democracia convocam a população cearense para participar da atividade estadual do Dia do Trabalhador.

O evento terá concentração às 8h do domingo, 1º de maio, na Areninha Pirambu — antigo Kartódromo. Depois, os manifestantes saem em caminhada pela Av. Presidente Castelo Branco (Leste Oeste), em direção ao CUCA da Barra do Ceará. Ao chegar no equipamento público, artistas, grupos e movimentos sociais locais se apresentarão, com uma rica e diversificada sequência de atividades culturais e políticas.

Além de reafirmar a posição da classe trabalhadora contra a ruptura democrática no país, a mobilização de rua leva para o povo da periferia de Fortaleza a denúncia de que o maior golpe ainda estar por vir e é contra os direitos do povo trabalhador do país. A derrubada de Dilma tem por trás o objetivo de aplicar retrocessos sociais e trabalhistas. É o que está proposto no Programa de Michel Temer, chamado de ‘Ponte para o Futuro’, que só olha, em verdade, para o passado.

Para os organizadores, é necessário conhecer e combater as propostas conservadoras do eventual governo, que pode se concretizar através de uma violação das regras constitucionais.

Entre as propostas de Temer, estão: a revisão de direitos expostos na Constituição de 1988; orçamento zero, com a desvinculação das receitas de saúde, educação e transferência de renda; a redução de benefícios previdenciários; a privatização das estatais e entrega do petróleo para empresas internacionais; a terceirização sem limites; a destruição de normas da CLT, com a prevalência do negociado sobre o legislado; o término da política de reajustes reais anuais do salário mínimo e da vinculação do piso dos benefícios da previdência; a reforma da previdência pela via do aumento da idade mínima para se aposentar; a reforma tributária regressiva em benefício dos muito ricos; um ajuste fiscal restritivo para fazer superávits primários; a manutenção da política monetária de juros altos; e o realinhamento com EUA e o neoliberialismo, que tanto sufocou o país e provocou desigualdades.

“Pelas propostas, não há dúvida que um hipotético governo Michel Temer, ungindo através do impedimento ilegal da presidenta Dilma, será uma grande tragédia histórica para os trabalhadores”, argumenta Enedina Soares, membro da Frente Brasil e presidente da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal no Estado do Ceará (Fetamce).

Entenda o golpe

Foto: Marcos Adegas | Arquivo Fetamce

Alegando um crime de responsabilidade pela prática da chamada “pedalada fiscal” (um procedimento contábil que não constitui crime de qualquer espécie) e expondo um verdadeiro arsenal de preconceitos e objetivos políticos escusos, a Câmara dos Deputados composta em grandíssima maioria por empresários, ruralistas e conservadores (mais de uma centena deles investigados ou acusados de crimes de corrupção) aprovou no último dia 17, o prosseguimento do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Agora, o processo está em tramitação no Senado Federal, onde precisa ter a aprovação de ⅔ dos senadores para que a presidenta seja afastada. Se aprovado, quem assume a presidência da república é o vice, Michel Temer (PMDB), citado como beneficiário de propinas no Lava Jato e também acusado da prática de pedalada fiscal.

Na ausência dele, seja por renúncia, morte ou cassação, toma posse o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, réu em processos de corrupção e lavagem de dinheiro e principal beneficiado com a saída de Dilma Roussef, uma vez que o mesmo já teve abrandamento em seus processos de cassação após aprovação do impeachment na Câmara. Ambos, mais os tucanos e outros derrotados nas eleições presidenciais, são apontados como patrocinadores do golpe de Estado.

Ironicamente, Dilma Rousseff não possui nenhuma denúncia de crime de corrupção, desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito ou ocultação de contas bancárias no exterior. Por isso, para os movimentos sindical e sociais, se não há crime, é golpe. Por isso, vamos engrossar Ato Unificado o 1º de Maio do Trabalhador e todas as manifestações que se seguirão para barrar ataques à democracia, aos direitos e ao patrimônio do povo brasileiro.

Serviço:

1º de maio em defesa dos direitos dos trabalhadores e da Democracia

Concentração às 8h, na Areninha do Pirambu (antigo Kartódromo).

Caminhada pela Avenida Presidente Castelo Branco — ou Leste-Oeste — até o CUCA da Barra do Ceará.