
A missão de Margarida no auxílio aos idosos
Aposentada, que fundou a Pastoral da Pessoa Idosa em Joinvlle, atua no grupo de voluntários que atende mais de 200 idosos no bairro Aventureiro
Por onde anda, Maria Margarida Kutianski, 73, carrega o livro da Pastoral da Pessoa Idosa. A paranaense que nasceu em Fluvianópolis-PR, mudou-se para Joinville em 1979 e atua no trabalho comunitário junto a mais de 200 idosos no bairro Aventureiro. Número que gostaria de aumentar, mas para isso precisa de voluntários dispostos a ajudar.
No Bairro, todos a conhecem pelo seu segundo nome, Margarida. Com cabelos curtos e jeito sério, que herdou da família com descendência ucraniana, cresceu no ambiente rural no interior do Paraná. “Éramos em sete irmãos e todos ajudavam no trabalho da roça, com plantio de trigo, arroz, milho feijão, etc. Vivíamos em comunidade”, relembra.
Aos 17 anos, na cidade de Ivaiporã-PR, Margarida deu início a uma nova carreira: professora de séries iniciais — do 1º ao 4º ano. “Trabalhei por 17 anos como professora. Foi um período gratificante da vida, porque ensinar uma criança a ler é uma experiência muito linda”, relembra.
Aos 34 anos, feliz como professora e com quatro filhos, ela precisou realizar uma grande mudança na vida. Sair do Paraná em direção a Joinville por conta da grande seca que atingiu o interior do Paraná em 1979. Por aqui, não encontrou emprego como professora e, novamente, precisou aprender um novo ofício.
No supermercado Odivan, se tornou confeiteira e mais tarde seria a responsável pela confecção dos bolos da Panificadora Princesa, do Bairro Iririú. “Foram mais 12 anos fazendo bolos com muito amor e carinho”. Esse, talvez, seja o segredo de Margarida que, até hoje, recebe encomendas em casa.
Depois de se aposentar, pôde se dedicar ainda mais para o trabalho na igreja. A escolha pelos idosos tem a ver com uma dificuldade que viveu quando tinha 38 anos. “Estive entre a vida e a morte por conta de uma grave doença e, no leito do hospital, fiz uma promessa: a de dedicar minha vida no auxílio a pessoas com necessidades de saúde”, relembra.
Em 2007, então, atendeu a um convite para o curso de formação da Pastoral da Pessoa Idosa. Preparada, buscou auxílio de lideranças e fundou uma extensão da pastoral em Joinville. Hoje, ao lado da coordenadora Maria Schimidt, ela atua na secretaria da pastoral do Aventureiro, que conta com 54 voluntários e atende 204 idosos.
O trabalho da pastoral consiste na visita dos idosos mensalmente. Cada voluntário pode visitar até 10 idosos por mês. Durante as visitas, os voluntários preenchem um formulário de acompanhamento da saúde e condições de vida dos idosos, além de também fornecer orientações. “Logo que a gente chega no portão, eles já nos convidam para entrar, rezar, e conversar sobre a vida”, revela Margarida, que visita a idosa Maria de Melo todos os meses, desde 2007.
O trabalho de Margarida e da equipe da pastoral é grande, mas carece de mais voluntários. Em 2016, a pastoral não conseguiu ampliar o alcance, porque não encontrou pessoas com disposição para o trabalho voluntário.
“Infelizmente, percebemos que nossa sociedade está desprezando os idosos. Na área da saúde temos o exemplo disso, onde o estatuto do idoso é desrespeitado. Eles precisam aguardar um mês para se consultar, outro para realizar um exame e mais um para entregar o resultado. Ou seja, muitas vezes eles precisam escolher entre pagar ou morrer”, lamenta.
Por Comunidade & Artes
