Trabalhadores na faixa etária de Celso, 43 anos, serão imediatamente afetados pela Reforma da Previdência — Foto Rosalina Neckel

Reforma da previdência prejudica trabalhadores

Fim da aposentadoria por tempo de serviço deve afetar mais de 200 mil pessoas na cidade. Nascidos após 1973 serão os mais impactados

O moldador mecânico Celso Gonçalves, 43, trabalha desde os 17 anos de idade e precisaria trabalhar apenas mais 9 anos para se aposentar. No entanto, se a reforma da previdência for aprovada, o metalúrgico terá que seguir acordando às 4 horas da madrugada por mais 22 anos até poder “pendurar o sapatão”.

Esse efeito negativo acontece por conta da principal mudança da proposta de emenda constitucional enviada pelo Governo ao Congresso: o fim da aposentadoria por tempo de serviço, que aposenta o cidadão no momento em que ele alcança 35 anos de serviço, ou 30 anos para mulher. Com a nova regra, os trabalhadores no Brasil só poderão se aposentar quando alcançarem a idade mínima de 65 anos para homens, ou 62 para mulheres.

“Imagina ter que contribuir por 49 anos para previdência, e só depois disso se aposentar. É muito difícil o cidadão se manter dentro de uma fábrica em ritmo de produção acima dos 60 anos”, comenta Celso. Na mesma situação dele, cerca 220 mil moradores de Joinville com idade até 44 anos, que trabalham na iniciativa privada, seriam imediatamente prejudicados com o fim da aposentadoria por tempo de serviço.

Um dos argumentos do Governo na defesa da proposta é o déficit entre a arrecadação do INSS e a despesa com pagamentos dos benefícios. Em janeiro, por exemplo, o secretário de previdência, Marcelo Caetano, anunciou que o déficit de 2016 foi de R$ 149,7 bilhões. No entanto, os dados do Departamento Intersindical de Estatísticas Estudos Socioeconômicos (Dieese) demonstram que essa foi a primeira vez que houve déficit desde 2007, e isso por conta da crise econômica sazonal e da renúncia fiscal dos últimos anos. Além disso, entre 2007 e 2015, o governo retirou R$ 500 bilhões de reais do caixa da previdência para pagar despesas de outras áreas.

O presidente do sindicato dos metalúrgicos de Joinville, Rodolfo de Ramos, 36, discorda da reforma. “Além do fim da aposentadoria por tempo de serviço, o salário da aposentadoria também irá diminuir, pois o cálculo será sobre a média salarial e não mais sobre os 240 maiores salários recebidos durante sua carreira”, comenta.

A câmara dos deputados já fez a primeira análise da proposta do governo e, a partir de agora, a PEC deve ser levada ao plenário da câmara para votação. Para seguir ao senado, o governo precisa que 308 dos 513 deputados votem pela aprovação da proposta. Se aprovada, ela segue para análise do senado federal.

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