Área de 40 mil metros quadrados entre as Ruas Alois Finder, Peixes e Cláudio Lopes abriga vestígios da população Sambaqui — Foto Museu do Sambaqui — Joinville-SC

Sambaqui preserva história do Aventureiro

Projeto para construção de parque no Sambaqui Guaíra aguarda por recursos

Silêncio….um barulho na mata e….lança arremessada contra uma onça. Em dupla, dois nativos recolhem e levam para o lar a carne que servirá de alimento para a tribo. Vestígios dessa cena, comum no bairro Aventureiro há cinco mil anos, estão preservados no Sambaqui Guaíra. Uma iniciativa popular, do ano de 2010, propõe a construção de um parque na área de 40 mil m2 entre as ruas Alois Finder, Peixes e Claudio Lopes.

A palavra Sambaqui significa “monte de conchas” e é o nome dado as áreas da cidade que preservam vestígios da população que habitou essa região entre 5 e 12 mil anos atrás. Em Joinville, graças a uma legislação de 1961, muitas dessas áreas encontram-se preservadas. Os nativos daquela época construíram os montes durante anos, com restos de comida, materiais utilizados em ofertórios, funerais e itens da cultura. “Os montes eram uma forma de construção desses povos, onde eles se reuniam, realizavam rituais e observavam outros sambaquis. Os grupos se comunicavam, faziam trocas e oferendas juntos”, comenta a coordenadora do Museu Sambaqui, Roberta Meyer.

Esses povos se alimentavam da pesca, caça e também de alimentos que eles mesmo plantavam, como batata doce e milho. Tudo o que já se sabe sobre esses povos foi descoberto a partir da análise de terrenos como o do Sambaqui Guaíra — pouco explorado até o momento. Segundo os estudos do Museu, esses povos provavelmente habitavam toda a região do bairro e utilizavam o espaço que se encontra preservado para práticas cotidianas, como o preparo da comida.

“Cada sambaqui é considerado um museu arqueológico, porque é um local de concentração de uma população que não existe mais. Nesses ambientes encontramos restos de fogueiras, ferramentas, pedras lascadas e outros materiais. A análise desses vestígios nos ajudam a compreender esse povo”, explica Roberta.

Réplica do rosto de uma mulher Sambaqui — Acervo do Museu de Joinville-SC

Projeto Povo das Conchas

Um parque com quadras esportivas, academia da “melhor idade”, parquinho para as crianças e espaço para educação sobre os povos sambaquianos, com uma réplica de uma aldeia sambaqui. Esse projeto, denominado Povo das Conchas, foi desenvolvido por meio do Simdec em 2009, a partir de iniciativa de associações de moradores do bairro Aventureiro.

Belmiro Thiesen, morador da rua Alois Finder, acompanha o projeto desde o início e é um dos grandes defensores da construção do parque. “Em 2010, envolvemos a comunidade na discussão do projeto e apresentamos essa proposta nas escolas”, explica.

Segundo o morador, o projeto chegou a ser encaminhado para a análise do governo federal e, desde então, a comunidade aguarda por uma resposta sobre o recurso necessário, estimado em R$ 2 milhões. “O parque do Sambaqui Guaíra será um modelo para a cidade, ao preservar a história e contribuir para a valorização da região, na medida em que o local pode fazer parte do roteiro turístico da cidade”, avalia Belmiro.

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