Seguro compreensivo tem baixa aceitação em Alagoas

Serviço é oferecido à população que desconhece benefícios e sua cobertura

Reportagem Jéssica Thiffanne Barboza | Orientação Profº Josbeth Macário


Você sabia que o seu seguro de carro pode consertar um eletrodoméstico que queimou? Que o seu cartão de crédito pode cobrir a sua casa? Pois bem, é tudo uma questão de escolha: o que Dona Erotildes Ferreira fez, mas, não teve.

Em dezembro de 2013, a Divisão Especial de Investigação e Captura (Deic)
explodiu por conta do armazenamento irregular de munição de poderio bélico. Dona Erotildes, por sua vez, morava perto (na rua Santa Cruz, uma rua paralela à unidade) e viu a sua vida desmoronar — acumulando prejuízos de toda ordem. Pois, com o impacto da explosão, a caixa d’agua estourou e o
forro de toda a parte de trás da casa foi danificado. Além disso, os vidros de
portas e janelas quebraram. O acidente também prejudicou os móveis e
eletrodomésticos da casa, como, roupeiro, colchão, mesa, cadeiras, fogão e
geladeira.

Usuária de um cartão de crédito, ela não sabia que possuía o seguro
residencial associado à sua fatura, como uma espécie de serviço
complementar. Após a explosão, a empresa entrou em contato sugerindo o
cancelamento do benefício sob o argumento de que ela tinha feito muitas
compras. Sem ter ciência do que estava acontecendo, Erotildes assinou os
papeis e buscou a Defesa Civil/AL para auxiliar no custeio de seu prejuízo: com a compra de móveis e eletrodomésticos.

Antes para prevenir possíveis perdas referentes a incêndio, roubo, alagamento, desmoronamento, explosão e vários outros, o segurado precisava contratar vários seguros. Mas o seguro compreensivo, ou comumente conhecido como seguro auto, surgiu com o objetivo de reunir várias apólices em uma só conta. Ou seja, concentra diversas coberturas em um único documento. Em Maceió, ele já é fornecido a cerca de dois anos e é um diferencial para a escolha do cliente, segundo o corretor Milson Fiel.

É o caso da empresa Porto Seguro, que oferta uma assistência de reparos à eletrodomésticos de linha branca, como: máquina de lavar e secar roupas, lava-louças, tanquinho, geladeira, freezer, fogão a gás e micro-ondas, com mão de obra gratuita e atendimento 24 horas em qualquer dia da semana, inclusive aos domingos e feriados. Basta o cliente ligar para a central, agendar uma visita do técnico e o serviço de conserto será prestado.

‘Faltou energia e meu eletrodoméstico queimou: e agora, o que faço?’

Segundo dados da Eletrobras/AL, só em 2013, a companhia registrava cerca
de 20 pedidos de ressarcimento semanais; clientes alegavam que as
constantes quedas de energia danificavam seus produtos e pediam
ressarcimento dos mesmos, mas, em metade dos casos, os processos são
indeferidos por não se comprovar ligação entre o dano e a interrupção do
fornecimento. A empresa explica que ao receber a reclamação, há a verificação de queda de energia no local e uma equipe é enviada no prazo de até 10 dias para saber se foi o motivo que realmente causou problemas no aparelho. Caso fique comprovado, o cliente é encaminhado à assistência e informa o orçamento para a distribuidora.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê garantia de até três meses,
mas alguns fabricantes ofertam um ano de garantia para aparelhos de TVs, por exemplo. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) determina que a responsabilidade pela reparação seja da empresa fornecedora, como está previsto na normativa nº 61 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel): “as distribuidoras de energia devem consertar, substituir ou ressarcir os consumidores”. Pela resolução da nº 360/9 da agência, o prazo para encaminhar queixa à concessionária é de até 90 dias corridos.

Porém, o CDC indica que o usuário pode pedir reparação de dano em até cinco anos. A partir daí, a distribuidora terá 10 dias para averiguar o aparelho, exceto em aparelhos para conservar alimentos perecíveis ou medicamentos, tendo prazo de um dia útil.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) apontou que o alto custo de consertos acaba não sendo viável para o consumidor, além do constante avanço da tecnologia, principalmente em casos de aparelhos de TV e smartphones.

Em entrevista ao site G1 — AL, o Procon/AL informou que o número de casos
em que o consumidor teve eletrodomésticos danificados devido a queda ou
oscilação de energia poderia ser maior se soubessem dos procedimentos a
serem adotados.

(Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Segundo o ex-superintendente do Procon em Alagoas, Rodrigo Cunha, as
pessoas costumam levar os aparelhos à assistência antes de contatar a
empresa fornecedora. Ele ainda disse que em casos de aparelhos essenciais,
como por exemplo, uma geladeira, o processo deve ser ainda mais rápido.

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