Desafios de ser um Scrum Master em um time remoto

Bruno Eugênio
Oct 18, 2019 · 5 min read

Dicas de um agilista que vive na pele o desafio

Hoje não tem mais como fugir: o trabalho remoto (ou teletrabalho) chegou para ficar. Segundo dados da consultoria americana Flexjobs, 76% dos americanos evitam fazer tarefas complexas no ambiente de trabalho, sendo mais produtivos fora do escritório de trabalho. Na época onde estamos cada vez mais conectados, logo logo você vai cair em um projeto onde nem todas as pessoas estarão presentes na mesma sala, e isso não pode virar uma desculpa para você não disseminar os valores e princípios da agilidade no seu time. Para um Scrum Master, trabalho remoto é impeditivo? Estou descobrindo e vou contar um pouco da minha jornada com vocês.

Estabelecendo conexões

O primeiro empecilho para um time remoto são as conexões pessoais, o “sentimento de pertencer” ao time é muito mais complicado quando temos equipes em cidades diferentes. No meu caso, os sites estão dentro do fuso horário, porém em regiões diferentes, que implica em culturas diferentes. Logo, o trabalho do Scrum Master na formação do time requer um team building extremamente focado em estabelecer conexões entre as pessoas, de modo que elas parem e se falem de maneira mais natural possível. Aqui, um lembrete: as primeiras retrospectivas serão “mudas” em certos momentos e é natural as pessoas não falarem tudo que pensam até criarem essas conexões… Respeitar o espaço é importante! Aos poucos, a confiança cresce e temas mais complexos poderão ser discutidos em retrospectivas por todos.

Conhecendo cada um

Depois de um começo de conexões entre SM e time, é importante conhecer melhor cada membro do time. Aqui o Scrum Master terá de gastar boa parte do tempo quebrando barreiras. Comigo, por exemplo, a grande quebra foi o uso da webcam em todos os contatos do time e contatos entre os membros. Ligar a câmera ajuda a ver as expressões das pessoas além da voz: o tom da voz é importante, mas nada como uma expressão facial para saber o engajamento da pessoa. Em muitos casos houve resistência, mas aos poucos entenderam os motivos e se sentiram mais leves em relação a isso. Porém, não é a única coisa que vai diminuir a distância: incentive seu time a puxar conversas que você teria no café. Viu o último filme do Homem Aranha? Marcar uma partida de DotA 2 ou CS:GO depois do expediente? Coisas que times normalmente fazem, devem ser feitas por times remotos também. Para encontrar pontos de conexão, técnicas como o Personal Maps me ajudaram bastante, levando o time a descobrir conexões como Vasco da Gama, literatura e cerveja.

Termômetro do time

Bem, depois de criar conexões e conhecer um pouco mais as pessoas, vale a pena começar a pensar no coletivo. Um bom começo é medir a cultura do seu time. Você pode usar o modelo do Spotify Healthcheck ou outros que existem no mercado. Aqui, usei uma ferramenta que cai muito bem para times distribuídos: Google Forms! Ao aplicar essas avaliações coletivas, obtive feedbacks sobre onde o time se encontrava e onde o Scrum Master deveria trabalhar. Depois de rodar qualquer ferramenta de medição com o time, reserve um tempo para discutir os resultados com todos e monte planos de ação em um lugar que o time sempre acessa (Trello, Jira e afins).

Mesma frequência

Uma coisa aprendi da pior maneira possível: se temos pessoas remotas, elas devem ser prioridade nos canais de comunicação. Então, se você tem um time com nove pessoas, onde 4 estão remotos e 5 não, jamais marque uma sala e coloque os 5 para interagir como se fossem os únicos da sala! Para quem está remoto é péssimo para ouvir e conversas paralelas surgem como ruído. É melhor que todos estejam no mesmo canal de comunicação. Promova também um canal oficial de comunicação do time e evite que informações importantes sejam repassadas fora deste canal: um Slack e um WhatsApp do time? Deixe o whastapp para a zoeira e emergências (elas podem acontecer).

Promova a agilidade

Como agilista, promover a agilidade é óbvio, não? Só que quando estamos atuando de maneira remota, muita gente confunde e diz que não é um “princípio” ágil estar distante geograficamente. Cabe ao Scrum Master promover a agilidade todo o tempo, se aproveitando das conexões e do conhecimento construído do time para disseminar os valores e princípios do manifesto ágil e do Scrum. Um momento que aproveito sempre para reforçar os valores e princípios ágeis e valores do Scrum é a retrospectiva: reforçar os valores, promover estudos sobre temas e práticas de agilidade nas quais o time ainda não tem fluência, além de tech talks do time para o time ajudam a promover a agilidade. Não existe uma receita aqui, mas as tech talks funcionaram bem para a maioria dos times.

Entenda o que está acontecendo

Um dos feedbacks mais legais que recebi sobre ser um Scrum Master remoto foi “você precisa saber o que está acontecendo aqui”. Entenda “aqui” como o local da pessoa. Existem situações que vamos trabalhar não apenas com pessoas remotas, mas times inteiros remotos, onde a sinergia entre os times acrescenta uma dificuldade extra ao papel do SM: estabelecer conexões, conhecer cada um, medir cultura e nivelar canais de um time para outro requer um esforço extra. Aqui, no Nexus pode ajudar a gente: Daily Scrum entre times, retrospectiva entre times. Entender e repassar o contexto da pessoa ou time remoto para as pessoas do seu time local é importante.

A distância é um desafio enorme para qualquer agilista, porém devemos usar todo o arsenal que temos disponível (webcams, ferramentas de pesquisa online, chats com texto em voz em tempo real, jogos online, etc…) para aproximar pessoas e formar times. Um ponto que também me ajuda bastante é lembrar dos conceitos do Management 3.0 e alinhar tudo com o time através deles:

  • Alinhar restrições
  • Empoderar times
  • Desenvolver competências
  • Melhorar estruturas
  • Energizar pessoas
  • Melhorar tudo

O trabalho remoto de um Scrum Master é, sem dúvidas, muito mais complexo do que presencial, requer bastante poder de adaptação e criatividade. Vai demorar para ver os resultados? Sim, mas o caminho é esse, empírico, interativo e incremental.

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Bruno Eugênio

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