O remoto nosso de cada dia

Points and tips — registro de um bate-papo em Recife

Hudson Leite
Mar 25 · 6 min read

Uma parte importante do nosso dia-a-dia como consultoria de software é trabalhar com times remotos, e esse tema está mais atual do que nunca, não é mesmo? Bom, para nós isso não é só comum e usual, mas também uma estrada livre e larga, pela qual muita coisa já passa atualmente, e tem muito mais a passar. Recentemente, usamos o tempo do café da tarde para bater um papo sobre o assunto com o nosso time em Recife.

Não há muitos estudos sobre o assunto mas, em um modelo típico “LIP” (learning in progress), o trabalho do Collaboration Superpowers e o livro Working Together Anywhere — ambos da Lisette Sutherland — concentraram seus esforços em mais de 200 entrevistas para entender, estudar e ajudar equipes remotas a viver melhor.

Objetivamente falando, trabalhar de forma remota tem como premissa três questões básicas:

  1. Infraestrutura e equipamentos adequados, com áudio, vídeo, iluminação e ambiente OK. Isso evita a perda de tempo e foco no que é importante, no que precisa ser resolvido;

2. Entender que “remoto” é um jeito diferente de trabalhar. Logo, exige adequações e ajustes, pois o que funciona em times locais pode não funcionar via áudio e vídeo compartilhados, ou pode precisar de outra dinâmica pra surtir o efeito desejado;

3. Não há um caminho certo. O template de um time pode não dar certo pra outro time, dadas as premissas 1 e 2 acima satisfeitas. Imagine times que estão, além de geograficamente distantes, em condições diferentes de local, conforto, luminosidade, barulho, etc. São muitas variáveis administráveis para ajustar o bom caminho para o time conversar e fazer o seu trabalho remota e satisfatoriamente, melhorando empírica e iterativamente;

“Mergeando” com o que já conversamos sobre SCRUM, falando de autonomia e transparência e dadas as premissas acima, extraímos do livro e vídeos da Lisette cinco dicas que, fazendo sentido para a realidade de cada time, podem contribuir muito na “qualidade de vida remota” que o dia-a-dia nos impõe para as entregas dos projetos.

Go ahead, buddies!

a) Turn ON the camera.

Mais da metade da nossa comunição é expressão facial. A voz e a expressão praticamente definem o “sentido do que queremos comunicar” e abrir mão de um destes estímulos é aumentar (e muito) a probabilidade de ruído, má interpretação, desinformação, queda de motivação e, claro, quebra da comunicação, vide os exemplos dos grupos de WhatsApp de família e seus áudios/textos desastrosos. O Manifesto Ágil, em um de seus príncipios, cita que a melhor forma de se comunicar com o time de desenvolvimento, e aí estendendo para o Scrum Team como um todo, é face a face. Nós não perdemos isso por estar remoto, porque resolvemos com uma câmera. Está lá, pronto pra ser usado. Basta estarmos todos alinhados em relação a isso.

b) Ajuste as expectativas de todos e crie os combinados.

Horários, cerimônias, como os conflitos serão resolvidos, como serão os feedbacks, que ferramentas vamos usar para nos comunicar ou pra visualizar o trabalho… Tudo isso além do DOD, backlog do produto, visão de negócio, tem que ser de conhecimento do time, pra gerar aquele sentimento de dono do negócio e de comprometimento com a solução. Percebam o link interessante que isso tem com autonomia (ou autogerenciamento do time), quando esse alinhamento do jeito de trabalhar fica organizado entre todos, e de transparência, quando “níveis de informação adequados a cada um que faz o trabalho estão compartilhados”. Nada mais aderente ao que o próprio Scrum Guide nos direciona, não é assim?

c) Estabeleça e fomente o feedback 360º.

Criar uma atmosfera de abertura (Openness) e respeito (Respect) — valores Scrum — e estimular as pessoas a darem feedbacks umas às outras não só reforça a noção de time como cria empatia, a sensação de se importar com o outro, de entender os dois lados da conversa e consensualizar e de buscar o diálogo franco, com o objetivo de trabalhar melhor juntos. Este é uma softskill imprescindível, ainda mais em um contexto remoto e SIM, se aprende, passo a passo, melhorando a cada iteração.

d) Having fun!

As coisas não precisam ser só trabalho, nem localmente, tampouco em comunicação remota. Entrar um pouco antes da meeting, fomentar o diálogo, puxar conversa, entender mais sobre a pessoa que está no seu time e mora em outra cidade/país, faz tal esporte, entende de outras coisas, gosta disso tanto quanto eu, não gosta disso tanto quanto ele… Em suma: interaja! Vai tomar um café? Chama o cara numa chamada de vídeo e converse um pouco, compartilhe experiências e momentos. Reforcem-se como time e, na hora que o bicho pegar, a empatia vai gerar um consenso muito mais rápido e eficaz para a entrega que está a caminho.

e) Get trainning.

Sempre tem novas coisas para aprender e usar. A dinâmica do time vai precisar de novas ferramentas, talvez quizzes, talvez um novo chat, um novo planning poker ou um painel de tarefas. Isso é o empírico falando alto, com o qual a gente aprende com o que conhece e melhora na próxima iteração. Sem pressão e nem necessidade de ficar buscando, se mantenha conhecendo e aprendendo novas técnicas e ferramentas. Quando precisar resolver algo, você já sabe onde começar a procurar;

É isso, gente! Nesse modo LIP de aprender e compartilhar, espero poder contribuir com os times a trabalharem melhor remotamente, e me inserir melhor neste contexto também. Deixa eu ler mais um pouco e em breve trago mais coisas sobre o assunto. Abraço e seja ágil!

Ficou alguma dúvida ou tem algo a dizer? Aproveite e deixe um comentário. Quer participar dessas reuniões periódicas sobre agilidade? Saiba mais sobre a Concrete aqui e deixe o seu currículo. Quem sabe o próximo tema a ser debatido não é você quem escolhe? ;) Até a próxima!

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Hudson Leite

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Pai de Ben e Helô. Facilitador de projetos e times Ágeis!

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