O Inconsciente.

O primeiro texto que escolhi para publicar aqui na coluna Condensações é um texto do criador da Psicanálise, o médio austríaco Sigmund Freud. Chama-se O Inconsciente e é um texto do ano de 1915.

Embora pareça antigo, demonstra-se muito atual, já que as formas de funcionamento do Inconsciente não se modificam durante o tempo. O Inconsciente é igual, existe da mesma forma antes e depois de Freud. Diríamos que antes apenas não havia alguém para ler o Inconsciente da forma que ele foi capaz de fazer.

Sim, é claro que a cultura muda e a sociedade também. Porém, o que vemos é que a forma como o Inconsciente funciona é a mesma. O que notamos que se modificou ao longo destes 103 anos, de 1915 para 2017, é talvez a forma de expressão dos conflitos, por exemplo, como os sintomas psíquicos aparecem, etc. Mas o funcionamento do Inconsciente em si, é o mesmo.

Escolho este artigo porque é de uma época em que seu fundador e os primeiros psicanalistas ainda estavam lutando arduamente para provar a eficácia e aplicação da Psicanálise, que neste momento ainda era uma ciência “adolescente”. Por isto penso que é um artigo interessante para quem nunca leu, ou leu muito pouco sobre Psicanálise.

Vou falar do primeiro capítulo deste texto, “O que justifica afirmar a existência do Inconsciente”.

Freud começa dizendo que há em sua época uma forte contestação sobre a possibilidade de que o Inconsciente realmente exista (hoje também, é algo atemporal, talvez em outro texto possamos ver o por quê).

Então Freud vai tentando mostrar como é que esse tal de Inconsciente realmente existe.

Como? Mostrando que existem muitos atos conscientes que só poderiam ser explicados ou pelo mero acaso, seriam coisas sem sentido algum, ou porque existem atos por detrás destes que os explicam e dão um sentido para eles. Exemplos: trocar o nome de uma pessoa pelo de outra (troca de nomes próprios), usar “sem querer” uma palavra quando queríamos usar outra (atos falhos), conteúdo dos nossos sonhos, aquela idéia super legal, ou super chata, que a gente não faz idéia de onde veio, e, por fim, nossos sintomas, fobias, tocs, o “dedo podre” para escolher parceiro amoroso, crises de angústia, explosões emocionais, medos, coisas que entendemos errado e distorcemos, etc, etc, etc.

Estas coisas não são sorte, azar ou coincidência.

Embora muitas vezes seja difícil ou até doloroso aceitar que em nós mesmos existem sentimentos e pensamentos dos quais não temos total conhecimento, podemos ver isto de modo mais claro quando olhamos para outras pessoas. Logo, podemos por analogia entender que, se nos outros é possível notar que existe algo de oculto que a própria pessoa ignora ou tenta ignorar, podemos também perceber que o mesmo se dá conosco.

O que Freud propõe é que a gente possa fazer este exercício da mesma forma como somos capazes de fazer com os outros. Seria como duvidar um pouquinho de si para conhecer essa outra parte nossa.

Claro que nada é tão simples, é muito mais difícil a gente poder se dar conta do que está em nosso Inconsciente do que observar nos outros.

Os conteúdos mentais (pensamentos, lembranças) podem ser puxados do Consciente para o Inconsciente devido aos sentimentos difíceis que acarretariam se fossem aceitos no Consciente. Então, por exemplo, no dia-a-dia sou um querido com meu colega de trabalho, mas à noite sonho com sua demissão, meu desejo secreto, que não admito nem para mim.

O trabalho de fazer com que esses conteúdos difíceis não cheguem à Consciência é da Repressão e dos Mecanismos de Defesas do Ego. Mas isso é assunto para outro texto.