“pile of assorted-color books” by Claudia on Unsplash

As leituras de Julho&Agosto/18

Romances históricos, psicologia da coragem, lições valiosas da história e metáforas sobre nós, leitores.

Edgar Oliveira
Sep 6, 2018 · 8 min read

Toda semana compartilho nesta publicação uma seleção de links diversos que acho que valem a pena serem espalhados. E faço o mesmo com livros uma vez por mês através da newsletterRecomendações de Leitura


“Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro” ~ Henry David Thoreau

Estipulei como meta para 2018, a leitura de 40 livros. Aqui, neste espaço, compartilho meu progresso e deixo minha lista de leitura mensal com comentários sobre cada livro lido no período.

(Os meses anteriores estão aqui →(Janeiro| Fevereiro| Março| Abril| Maio|Junho)

Você que gosta de ler ou que busca incorporar esse hábito, pode filtrar quais sugestões mais te interessam, além de ter alguém pra conversar e compartilhar também o seu progresso e suas impressões.

Portanto, pode usar os comentários a vontade pra opinar sobre os livros que listei e já leu, compartilhar suas experiências e, claro, me recomendar mais livros.

(Se quiser receber essas sugestões de leitura e trocar mais uma ideia através de e-mail, se cadastre na lista → Recomendações de Leitura)


Como mencionei na news, depois de sofrer com uma série de alterações na rotina, não consegui compartilhar as leituras de julho. Mas a atividade não parou.

Como ainda tive uma viagem nesse pequeno hiato, aproveitei as oportunidades que ela proporciona pra quem gosta de ler. Ônibus, espera no aeroporto, sossego da pousada, não faltaram momentos favoráveis.

Hoje, aproveito para recomendar as melhores leituras desses últimos dois meses. Espero que algum dos livros desperte seu interesse.

Augustus ~ John Williams

Esse romance histórico já é uma das minhas leituras favoritas no ano. John Williams, (re)conta a trajetória de Caio Otávio, mais tarde denominado Augusto, considerado o primeiro imperador de Roma. Através de correspondências trocadas por pessoas próximas a ele, como amigos, parentes e inimigos, acompanhamos como Augusto herdou o posto, ao ser adotado pelo seu então tio Julio Cesar, após este ser assassinado. Seguimos a partir daí a trajetória de todo reinado de Augusto.

O livro é um romance ficcional, porém, o autor preservou personagens reais e recriou fatos verídicos do período. Me senti lendo uma espécie de biografia de Augusto e do império romano da época. Apesar das liberdades para recontar fatos e recriar personagens tomadas pelo autor, é como se estivéssemos lendo uma obra histórica. Além do imperador protagonista, conhecemos várias figuras históricas da época, como Julio Cesar, Marco Antônio, Cleópatra, Cícero, Virgílio, Horácio, Julia e tantos outros.

A técnica epistolar utilizada, onde tudo é narrado através de trechos de diários, cartas trocadas e ainda fragmentos de documentos históricos, confere ainda mais autenticidade e “veracidade” a obra, que nos conduz através de toda árdua jornada de Caio Otávio, explorando o alto preço que o imperador paga pra cumprir com seus deveres.

Pra quem gosta de ler sobre o império romano e suas figuras históricas ou pra quem gosta de romances históricos em geral, é uma obra fascinante. Destaque para a parte final onde finalmente lemos o diário do próprio imperador, fazendo um balanço da sua vida e seus atos.

12 Liçoes da História ~ Will & Ariel Durant

“O presente é o passado que chega para ação, o passado é o presente aberto à compreensão”

O casal de historiadores Will e Ariel Durant, são famosos pela publicação de The Story of Civilization, uma série de 11 volumes publicados ao longo de 40 anos. Esse novo livro é uma espécie de resumo ou até mesmo uma introdução a esse trabalho.

O livro é curto, são apenas 120 páginas e você pode questionar como é possível fazer um resumo da história da civilização em tão poucas palavras. Talvez por isso, esse tenha sido o livro com a melhor proporção tamanho x qualidade do conteúdo que já li. Quase todo parágrafo está repleto de sabedoria e reflexão profunda. Se eu for reler o que destaquei e as notas que tomei, é provável que tenha que reescrever todo o livro. Como os próprios autores escrevem na introdução: Trata-se de uma empreitada precária, e só um tolo tentaria incluir cem séculos em cem páginas de conclusões apressadas. Diria que eles conseguiram sim, e de forma brilhante.

Se você é curioso por História e principalmente, sobre a natureza humana e suas possibilidades e limitações ao longo do tempo, é um livro indispensável.

A Coragem de Não Agradar ~ Kishimi Ichiro &‎ Koga Fumitake

Nunca tinha ouvido falar de Alfred Adler, que é um dos expoentes da psicologia ao lado de Sigmund Freud e Carl Jung. Adler foi um dos membros originais da Sociedade Psicanalítica de Viena, comandada por Freud. Como suas ideias contrariavam as de Freud, ele se separou do grupo e propôs uma “psicologia individual” baseado em suas teorias originais, a hoje conhecida como “psicologia adleriana”.

Uma das teorias de Adler, que é totalmente oposta a de Freud, sugere que não pensemos em causas do passado, apenas em metas do presente. Ou seja, a psicologia adleriana nega o trauma, diz que as experiências do passado não tem influências decisivas no presente. É difícil concordar com essa teoria quando você sempre acreditou no contrário. E isso que torna o livro bem interessante. Te oferece toda uma nova perspectiva sobre o porque das nossas atitudes e comportamentos.

O livro é todo em forma de diálogo — um dos autores, o japonês Kishimi Ichiro é um filósofo especialista em Platão e psicólogo da linha adleriana — onde um filósofo explica essas e outras teorias de Adler a um jovem em busca de respostas. Não se prenda ao título, o livro vai muito além daquele papo de seja você mesmo e não se importe com o que os outros pensam.

O Leitor como Metáfora ~ Alberto Manguel

Achei esse livro por acaso, ao procurar por leituras pra munir meu kindle pra viagem. E que escolha certeira. Nunca tinha lido um livro sobre livros e foi isso que me chamou atenção, um livro que fala sobre todos nós, leitores. “Somos criaturas leitoras, somos feitos de palavras e por meio de palavras somos identificados”

O argentino-canadense Alberto Manguel retrata o leitor por meio de metáforas que abordam os leitores e suas relações com o texto em um período de quatro milênios. Manguel nos apresenta três metáforas para simbolizar os leitores. O do viajante, que avança através das páginas do livro como peregrinos que se dirigem para a iluminação. O leitor da torre de marfim, recluso e isolado do mundo. E o leitor traça, aquele que devora livros, muitas vezes não para se beneficiar da sabedoria que eles contêm, mas apenas para se encher de inúmeras palavras e acabar ele mesmo sendo devorado.

São analisados tantos os aspectos positivos quanto os negativos dessas metáforas, e também as modificações sofridas por elas ao longo desses 4 milênios, sempre relacionando cada tipo de leitor a um clássico da literatura, como A Divina Comédia de Dante, Hamlet de Shakespearee Dom Quixote de Cervantes.

Pode parecer uma leitura chata ou cansativa mas pelo contrário, em especial pra quem se importa tanto com livros e nossos hábitos de leitura. É um livro curto e de leitura fluída, que de quebra ainda fornece várias indicações de literatura.

O Garoto no Convés ~ John Boyne

John Boyne é o autor de O Menino do Pijama Listrado, livro que lembro de ter lido após dar de presente para minha mãe, que adora histórias com a Segunda Guerra como pano de fundo. Após o sucesso desse livro, que chegou a virar filme, procurei mais coisas do autor e encontrei muitas recomendações positivas sobre O Garoto no Convés, mas nunca cheguei a dar muita bola até encontrar em destaque numa promoção na livraria que bato ponto.

Boyne usa o episódio real do navio da Marinha Britânica HMS Bounty e sua missão ao Taiti em 1789, para recriar o evento sob o ponto de vista do personagem ficcional John Jacob Turnstile, um jovem batedor de carteira, vítima de vários abusos e que tem sua vida transformada ao ser obrigado a embarcar na expedição do Bounty.

Preservando personagens reais e históricos, Boyne nos leva com o jovem sagaz e ao mesmo tempo ingênuo Turnstile, pela aventura marítima, com os homens do mar e seus costumes, as intrigas e as lições de lealdade e sobrevivência.

É um livro menos dramático e mais maduro que o anterior, mais malicioso e divertido, com uma narrativa simples porém profunda e envolvente. Gostei bastante e ao que parece, John Boyne tem outros livros muito bem recomendados.

O Senhor das Moscas ~ William Golding

William Golding ganhou um Nobel de literatura em 1983 e esse romance de 1954 é considerado sua obra prima. Confesso que demorei um pouco a me acostumar com a narrativa distanciada e pouco sólida do autor que dá muita margem a interpretações, mas assim que percebi o estilo, a leitura engrenou. Não é a toa que o livro já foi visto como uma alegoria, uma parábola, um tratado político e mesmo uma visão do apocalipse.

A obra trata de um grupo de meninos que se veem sem a presença de nenhum adulto numa ilha paradisíaca depois de sofrerem um acidente de avião, provavelmente durante o período da Segunda Guerra. Como eles sobreviveram e outros detalhes não são explicados, ficam a sua imaginação, assim como muitas outras situações. A partir daí acompanhamos o grupo de meninos de diversas idades indo do choque de se descobrirem sozinhos na ilha, passando pela tentativa de sobreviverem de forma civilizada na espera de serem resgatados, até tudo declinar para pura selvageria.

Não é uma simples história de aventura, mas um livro que explora a natureza humana e que pode gerar muitos debates. Minha experiência foi de sentir a leitura se arrastar em alguns momentos, enquanto em outros, me senti bastante tocado pela história. Não é por acaso que o livro é muito escolhido por clubes de leitura apesar de não ser tão popular (até onde eu sei) quanto outros best sellers.


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Edgar Oliveira

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Engenheiro. Editor de newsletter. “CEO”de restaurante. Livrólatro. Sommelier de séries. Ex atleta em atividade. Coletando e conectando os pontos.

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