Design Thinking, educação e impacto

Mais do que aprimorar práticas de ensino e de aprendizagem, abordagem possibilita fortalecer relações intra e interpessoais no contexto escolar

Ter como propósito melhorar a vida das pessoas. Desde que aprendemos sobre Design Thinking (DT), em 2010, percebemos a importância de levar essa abordagem para o campo da educação para justamente melhorar a vida dos educadores diante do desafio de usar e integrar tecnologias digitais em seus projetos. E apoiá-los a prototipar possibilidades pedagógicas que avancem no sentido de considerar as mudanças culturais que o mundo digital vem provocando no comportamento humano.

Nesses dois anos que fizemos a versão em Português do DT para Educadores no Instituto Educadigital (saiba mais aqui), percebemos que a abordagem é ainda mais poderosa do que imaginávamos. Nosso foco sempre foi o educador, mas o DT vem mostrando que podemos manter esse foco incluindo alunos e outras pessoas da comunidade escolar no mesmo processo de formação. Dia 2 de junho, fizemos mais uma oficina, dessa vez com professores e alunos juntos, na ETEC-Pirituba em São Paulo, e o desafio comum para todos os grupos —elaborados por eles mesmos — foi melhorar as relações interpessoais entre todos na escola.

Ao apresentar as etapas do DT — descoberta, interpretação, ideação e experimentação — que eu gosto de chamar de “ritualização”, temos observado o surgimento de temas ocultos mas não menos importantes, como as relações interpessoais, mas também aqueles que dizem respeito a questões essenciais como autoconhecimento, projeto de vida, diálogo e criatividade. Mas o objetivo não era criar metodologias inovadoras? Estamos perdendo o foco? De maneira nenhuma. São esses momentos coletivos que nos mostram de fato qual é o cerne do problema.

Por isso, queremos continuar ajudando pessoas a criarem e cocriarem novas oportunidades em educação a partir de problemas cotidianos, tendo a empatia como uma premissa, considerando as várias relações existentes (professor-aluno, professor-professor, professor-gestor etc). Queremos promover a troca de ideias para encontrar soluções. E, principalmente, sensibilizar as pessoas para que sejam acolhedoras com o erro, e o potencial de aprendizagem que ele pode oferecer.

Afinal, o que é impacto?

O Design Thinking fez todo o sentido para nós porque ele traz embutido o conceito de inovação como valor percebido, ou seja, não se cria nem se lança uma inovação. Ela acontece a partir do envolvimento das pessoas. Além disso, o DT é uma abordagem, não uma metodologia a seguir. Logo, a equação é outra: o educador é quem cria sua metodologia por meio dessa abordagem. 
 
 Se isso parece pouco, não é mesmo. Em tempos em que se fala sobre “impacto” em todo e qualquer projeto social, a apropriação verdadeira de novos processos e práticas é resultado qualitativo. Porém o recorte que comumente se faz em educação é pelos números: de beneficiados, de atendidos, aumento do IDEB, nota no ENEM etc.

Mas, afinal, o que estamos querendo de fato ao falar de impacto? Queremos ampliar a visão de resultados. Abrir novas perspectivas, possibilitar vivências, oferecer informação e conhecimento para mudar práticas. Impacto para nós é observar a transformação daquele educador que sai entusiasmado de uma formação e logo começa a pensar em como vai agir diferente.

A pré-disposição e a vontade de cooperar que temos conseguido despertar em quem passa pelas nossas formações é um grande impacto a ser considerado. Cada vez mais observamos em nossa sociedade o surgimento de aplicativos e soluções que facilitam a vida e ao mesmo tempo empoderam pessoas, estimulando a troca e a colaboração. De utensílios domésticos, serviços de transporte e até imóveis. Possuir algo vem sendo substituído pelo “ter acesso a algo”, e é partindo desse pressuposto que a gente pensa em crescer, e disseminar o DT.

O paradigma da abundância vem pontuar que quanto mais se compartilha e colabora, mais se cria. E cria para todo mundo. Nós ganhamos, a sociedade ganha. Nosso objetivo é crescer em rede, por meio de parcerias estabelecidas e por meio das pessoas que formamos. Preferimos crescer inspirando mais pessoas a disseminarem nossa concepção em outros locais, sempre com as devidas adaptações, claro! Por isso criamos cursos, desenvolvemos materiais de apoio e outras publicações de forma aberta. No mundo que temos hoje, especialmente na área social, não há lugar para concorrência nem competição. Há espaço para todos, há demanda para todos.

Para quem quiser conhecer nosso trabalho:

*esse artigo é uma adaptação do artigo original “Para onde vamos”, publicado no Relatório de Atividades, Mobilização e Ação