Grandes obras que influenciaram Tolkien e que possivelmente você ainda não conhece

Não é novidade para ninguém que Tolkien era um grande fã de fábulas. E como não poderia ser depois de marcar a história da literatura contemporânea com um grande épico fantástico? Bem, a ideia desse texto é ressaltar obras um pouco menos conhecidas do leitor brasileiro e, sobretudo, analisar as publicações sob um olhar de escritor. Vamos lá!

The Fairy Book Tales

Evidenciada em sua biografia, O Senhor da Fantasia (Darkside, 2013), da autoria de Michael White, a coletânea intitulada The Fairy Books foi muito importante na constituição do imaginário da obra tolkieniana, em especial o livro vermelho. Esta era uma antologia criada pelo pesquisador e escritor escocês Andrew Lang, formada por 12 livros, cada um com uma cor referente (The Red Fairy Book, The Blue Fairy book, The Crimson Fairy Book, etc) reunindo diversos contos de fada e outras histórias fantásticas conhecidas do século XIX. No compilado, histórias desde os Irmãos Grimm, até autores desconhecidos.

Atualmente, infelizmente nenhuma editora brasileira publica essa antologia de Andrew Lang (exceto duas histórias, “A irmã do Sol” e “Raminho de Alecrim”, publicadas pela Editora Global para o público infantil). No entanto, os leitores/escritores mais ávidos por referências podem adquirir exemplares dos Fairy Books que ainda são publicados na Inglaterra através da Editora The Folio Society. Os livros, preciso dizer, são de uma beleza em detalhes sem igual. A Folio é uma editora especializada em livros ilustrados e com acabamentos de primeira linha. São, de fato, se assim podemos dizer, livros de luxo. Olha que linda essa lista.

Beowulf

Dos três exemplos que vou apontar neste texto, talvez Beowulf seja o mais conhecido. E ainda assim, nem tão conhecido quanto se deveria.

Beowulf está para a Literatura Inglesa assim como Os Lusíadas está para a Literatura Portuguesa. Trata-se de um poema épico escrito no século XI na Inglaterra, mas que narra a história do herói homônimo em terras escandinavas, isto é, na atual Suécia e Dinamarca. Embora possamos comparar o seu peso para literatura em termos de antiguidade linguística, não podemos equiparar em todos os sentidos com outros poemas épicos, como Os Lusíadas — já citado -, ou Odisseia, ou Gigantomaquia, por exemplo. Isso porque Beowulf assumiu um caráter folclórico muito mais importante, talvez, que os demais. Beowulf foi editado de diversas formas, e até mesmo como livro infantil fez sucesso. As adaptações animadas vieram muito naturalmente e até hoje a história é reproduzida em diferentes formatos.

Especialistas, em diversas análises da obra de Tolkien, destacam evidências de inspiração em Beowulf (o roubo de uma taça do tesouro de Smaug, e os salões de Rohan, etc) e o próprio John Tolkien defendia a importância do poema. Há muito, o filólogo teria dado início a sua própria tradução do anglo-saxão da obra e feito comentários sobre a mesma. Este material, nunca publicado durante sua vida, depois de organizado e editado por seu filho, Christopher Tolkien, veio a ser divulgado recentemente, em 2014, como “Beowulf: A Translation and Commentary” pela editora inglesa HarperCollins. Aqui no Brasil, este livro será publicado no fim deste ano de 2015 (especula-se entre outubro e novembro), pela mesma editora dona dos direitos de outros títulos de Tolkien, a WMF Martins Fontes.

O Kalevala

Outro poema épico muito importante na vida do professor Tolkien. O Kalevala é uma obra que fala a respeito do folclore finlandês (lembrando que o idioma finlandês inspirou o idioma élfico Quenya) e que narra as aventuras heroicas de diversos personagens. A obra foi organizada durante anos e publicada pelo folclorista Elias Lönnrot em 1836, que percorreu a Finlândia para coletar no cancioneiro nacional as raízes do seu povo.

No Brasil, a Editora Ateliê Editorial traduziu o primeiro canto do poema em 2009. Infelizmente ainda não existe uma tradução da obra completa (50 cantos) para o português. Mesmo assim, o exímio trabalho e dedicação de Álvaro Faleiros e José Bizerril podem ser identificados nessa obra inicial da Ateliê Editorial.

Mas as novidades em relação ao Kalevala não acabaram. Recentemente, a editora HarperCollins publicou uma análise de Tolkien da narrativa sobre o anti-herói Kullervo, integrante do grande épico. O livro foi comemorado pelos fãs ao redor do mundo, que acompanham entusiasmados as novidades em relação ao legado do escritor. Intitulada “The Story of Kullervo” no original, a obra tem previsão de lançamento no Brasil para 2016, através da editora WMF Martins Fontes, responsável por trazer em português mais esta relíquia de Tolkien.

CONFRARIA DO OESTE

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