Bruno Loreto
Aug 13, 2017 · 4 min read

Há pouco mais de um ano comecei uma jornada em busca de startups que estivessem focando em atacar grandes problemas do setor de construção, eis que tive a primeira surpresa.

Diferente de setores como educação, saúde, financeiro, o mercado construtivo apesar de representar 10% do PIB global, chama pouca atenção dos empreendedores que buscam iniciar uma startup.

Ao longo desse período, durante nosso trabalho no Construtech Ventures, avaliamos inúmeras bases de dados, fontes como Crunchbase, Angelist, CBInsights, Gust, StartSe, e constatamos que menos de 3% dos empreendedores estão olhando para os grandes problemas do setor.

Qual seria a razão para isso?

Um dos motivos que acreditamos para existência desse fenômeno se deve a característica do setor de construção.

De acordo com publicação da Harvard Business Review no artigo "Which Industries Are the Most Digital (and Why)?"o segmento de construção aparece como o segundo pior em termos de adoção de tecnologias digitais em seus processos de negócio.

Apenas o segmento de mineração (mining) e imobiliário (real estate) aparecem melhor posicionados. O primeiro em função da necessidade de maquinas equipamentos para realização de sua atividade fim, o segundo fruto da ascensão dos portais imobiliários, que surgiram em todo o mundo na última década, explorando as oportunidades trazidas pelo crescimento e democratização do acesso a internet.

Um setor que naturalmente pouco demanda tecnologia, naturalmente tem menos profissionais envolvidos com negócios digitais, abordando o setor. Ao mesmo tempo, os profissionais que atuam nessa cadeia, e muitas vezes conhecem a fundo as características do negócio, não tem pleno conhecimento das possibilidades que a transformação digital poderia agregar ao negócio.

A combinação desses dois fatores seguramente explica, ao menos em parte, a escassez de casos de startups bem sucedidas em explorar o mercado de construção.

O cenário está mudando

Se por um lado, ainda são poucas as startups que podemos chamar de Construtechs, de outro, podemos notar que é um movimento crescente e que deve nos próximos meses ganhar visibilidade. Não é a toa que o StartSe publicou nessa semana o artigo "A hora e a vez das startups de construção"

Também de acordo com o relatório da CBInsighs "Research Briefing: Construction and Infrasctructure", divulgado em 2016, é crescente o número de startups do setor que estão tendo sucesso em rodadas de investimento, chegando a um montante de $778 milhões captados em 165 deals, desde 2012 (ver gráfico abaixo).

Além disso, o mesmo relatório aponta que a busca por conteúdo relacionado a tecnologia voltada para o setor também vem atingindo patamares jamais vistos.

Apesar disso, vale destacar que boa parte dos valores mencionados são referentes a rodadas de investimentos de empresas que já estão no mercado a pelo menos 10 anos, é o caso de Procore, Onshape e Viewpoint, responsáveis pelas maiores captações no setor.

Ainda sim, casos como da PlanGrid que em 2015 levantou $40 milhões em um Series B ou da YardClub recém adquirida pela Carterpillar, atraem a atenção do mercado de venture capital e reforçam as expectativas com o surgimento de novas construtechs.

No Brasil, temos mapeado até aqui 265 startups focando em gerar inovação para o mercado de construção. Casos como do Alugalogo, destaque da primeira competição de Startups do Google Campus em São Paulo, ou da Decorati, acelerada pela ACE em 2016 e que vem tendo um resultado incrível. Demonstram que também há espaço para esse movimento crescer no país ao longo dos próximos anos.

O impacto no setor de construção

Se realmente essa onda de Construtechs se fortalecer, o mercado de construção seguramente será fortemente impactado, e de duas formas:

  1. Empresas mais eficientes: As empresas que atuam no setor podem aumentar o nível de eficiência de seus negócios adotando tecnologia como foco em redução de custo, aumento de receita, e ainda transformar a experiência do seus clientes. É natural que os early adopters sejam os primeiros a acreditar nesse potencial e na medida que tiverem sucesso e derem visibilidade aos resultados, uma nova onde de empresas iram buscar implantar mais tecnologia em seus negócios, e isso deve casar com o novo ciclo de crescimento do setor nos próximos dois anos.
  2. Novos modelos de negócio: Assim como a indústria hoteleira, cinematográfica, audiovisual, setor financeiro, a industria de construção e imobiliário devem observar o surgimento de startups propondo modelos de negócios disruptivos, rompendo paradigmas e demonstrando formas mais eficientes de desenvolver negócios. Muitos irão encarar negócios disruptivos de maneira céptica, e quando se derem conta, talvez seja muito tarde.

Ainda que leve mais ou menos tempo, é fato que o movimento de Construtechs vem para causar impacto e mexer com as estruturas do mercado. Vamos observar os próximos capítulos e ajudar a construir o futuro de um dos setores mais relevantes para nossa sociedade.

#MakeTheConstructionGreatAgain

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Construtech Ventures

Somos o primeiro venture builder de construtechs e proptechs do mundo. Buscamos apoiar e desenvolver o ecossistema de inovação e empreendedorismo no setor da construção através do desenvolvimento, investimento e co-criação com startups e atores da cadeia.

Bruno Loreto

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Head of Construtech Ventures: O primeiro venture builder do mundo na indústria da construção e imobiliário

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Somos o primeiro venture builder de construtechs e proptechs do mundo. Buscamos apoiar e desenvolver o ecossistema de inovação e empreendedorismo no setor da construção através do desenvolvimento, investimento e co-criação com startups e atores da cadeia.

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