Sardas e o diferente

Sardas. Dão um ar de exótico. Chamam a atenção. Fazem você reparar com maior cuidado naquele rosto a sua frente que passa corrido nos corredores da estação de metrô.

Estranho que quando somos mais novos, crianças ou adolescentes, tende-se a querer ficar homogêneo, a querer parecer com determinado padrão de beleza, o das pessoas 'popzinhas'.

No entanto, vamos envelhecendo e, não sei dizer se de uma hora pra outra ou aos poucos, começamos a reparar no diferente, no exótico. Não é mais a pele totalmente lisinha e sem manchas que nos chama atenção, e sim a pele com sardinhas, a pele exótica. Assim como ruivas e ruivos que talvez aguentaram uma zoação no colégio e agora fazem os outros olharem fixamente para eles nas estações de metrô.

Um pouco mais comum são os óculos, que nunca ouviu um "quatro olhos" na infância, mas depois de mais velho descobriu que só despertou a atenção de alguém por conta dos óculos?

Não sei ao certo de onde vem essa tendência de começarmos buscando a homogeneidade e depois passar para as marcas mais exóticas. Será que é o fato de ficarmos mais confiantes quando envelhecemos e de ligar menos para a opinião dos outros? Acho que não, a maioria das pessoas não aparenta ser tão bem resolvida assim.

Não tenho a resposta, só sei que continuarei tendo meus olhos fixos em um cabelo ruivo, em um óculos diferente, nas sardinhas.

Ainda bem que temos toda essa diversidade no nosso metrô paulistano.