Parte 3: o cinema em Hollywood

O diretor americano sempre esteve mais interessado em criar ficções do que em produzir documentários. Esse gênero foi, então, deixado de lado em Hollywood. Scorsese (2004) explica que isso se dá pelo fato de os diretores serem contadores de histórias o que os levou a trabalharem sempre com modelos estereotipados de personagens e narrativas clichês. Para facilitar a produção em massa, os gêneros fílmicos foram divididos mais claramente, o que também viabilizou a especialização por gênero dos diretores, com variações e aprofundamento das tramas, mais facilmente desenvolvidas por cineastas com conhecimento do ambiente original dos filmes.

Scorsese (2004) questiona a estrutura do cinema hollywoodiano e aponta que o cineasta se encontra em um eterno dilema. Há sempre interesses comerciais ligados às motivações pessoais dos realizadores. Existem vários modos de lidar com essa estrutura. Alguns diretores alternam entre filmes autorais e comerciais, outros adotam uma postura de múltiplas personalidades, visto que, em suma, o cinema pertence à Indústria Cultural, mas seu viés artístico concorre com as demandas do mercado contemporâneo. É através dessa linha tênue que artistas, produtores e diretores se mantêm em Hollywood.

Os diretores chegavam a fazer cerca de três filmes ao ano, o que facilitava o desenvolvimento técnico dos profissionais, mesmo que atuassem como meros funcionários dos estúdios. Eram os produtores que coordenavam os filmes. Scorsese (2004) afirma que eles decidiam tudo e aguardavam a aprovação dos acionistas. Durante as décadas de 1930 e 1940, os estúdios controlavam todas as etapas do processo, até mesmo a distribuição. Os diretores que não aceitavam essa metodologia corriam risco de cair no ostracismo.

A construção clássica de Hollywood, para Bordwell (2005), é bastante linear. Isso não porque é inalterável, mas pelo fato de as mudanças estéticas e estruturais dependerem de altos custos e investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos equipamentos, sendo feitas, assim, paulatinamente. Raramente, até a década de 1960, houve casos de cineastas que propuseram revoluções na estrutura hierárquica da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. O realizador, para ter alguma independência, se adequava a um gênero ou tipo de história, a fim de tornar-se referência e ser buscado pelos produtores. Scorsese (2004) cita Frank Capra, que afirmava não ver a arte como um comitê, e sim, como a extensão de um indivíduo.

Para Scorsese (2004), o cinema é um meio de auto expressão, embora o trabalho realizado em Hollywood retrate o oposto. Esta execução não deve, contudo, ser feita por uma pessoa apenas, e sim, por uma equipe. Depende principalmente da boa relação entre diretor e produtor. As encomendas de filmes nem sempre são as desejadas pelos realizadores e todo o sucesso de um contrato depende da cooperação entre as partes. Não obstante, toda decisão é influenciada pela percepção que os financiadores têm acerca do que o público espera do filme. A arte fora transformada. Benjamin (1955) afirma que o ator não cria ou atua de forma individual, todo seu trabalho é avaliado e alterado por produtores e diretores.

Scorsese (2004) explica que o diretor deve conhecer o aparato técnico para contar as histórias. Nos EUA, a evolução da indústria do cinema acontece progressivamente e é responsabilidade do diretor acompanhar as tecnologias e ser capaz de lidar com todas as etapas do processo, a fim de conseguirem traduzir, seja o fato ou a ficção, com veracidade.