Conto LGBT: Devolva meu voto

Sinopse: A campanha do primeiro homossexual com chances de governar o Brasil pode não ser uma batalha por diversidade, especialmente em um sistema eleitoral inovador que serve a fins retrógrados. Lauro Alvarez tem algumas lições a aprender neste conto rápido e pessimista, e os fatos não serão professores carinhosos.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Vermelho

Quando a décima barra supinada terminou, seus músculos pulsavam rígidos como os de um rapaz mais jovem. Com certeza estavam maiores que os dele próprio na juventude, já que só depois dos quarenta chegou ao porte atlético que fazia com que ficasse bem no vídeo. Aos cinquenta, com dentes clareados e cabelo moderno, era mais buscado na internet por suas fotos que discursos.

Terminada a série de exercícios matinais, entrou no banho e retirou a máscara facial que havia passado a noite em seu rosto. Sabonete esfoliante com perfume de orquídea, xampu em francês e toalha fio egípcio para secar os pelos ralos e acinzentados de seu peito branco.

Lauro Alvarez só tocava no celular depois de cumprir esses trinta minutos obrigatórios. Nos passos seguintes, descia para o primeiro andar de sua casa funcional em Brasília conferindo na tela as manchetes dos principais sites jornalísticos do país e as mensagens dos contatos prioritários. Os grupos ficavam para depois. A quantidade de notificações que haviam chegado desta vez era ainda maior do que a de costume e, ao ver que também as chamadas telefônicas não atendidas se amontoavam, ele suspeitou que a campanha tinha acordado em mais uma reviravolta.

Nenhum empregado estava na cozinha. Nenhum suco estava na mesa. Nenhuma frigideira com ovos cheirava no fogo. Só via Rafael, encostado com seu pijama estampado de coqueiros na bancada da pia. O silêncio alfinetou que era melhor ter olhado o celular antes. Ao descruzar os braços, ele revelou o controle remoto e apertou o botão para que a TV da cozinha exibisse o vídeo que já passava de um milhão de visualizações.

A festa do partido no Recife teve uma falha de segurança: alguém conseguiu, com uma câmera, registrar o momento em que Lauro e um homem seminu roçavam suas cuecas em um divã branco. Com uma camisa aberta, ele arrastava seu tórax pelos músculos ainda maiores do amante e beijava sua boca e seu pescoço como se sugasse deles algum líquido doce. A cena continuava cada vez mais molhada, até o jovem projetar o pescoço para trás e fechar os olhos com o boquete experiente daquele que detinha o apoio da maioria para se tornar Primeiro Ministro do Brasil pelo Partido da Ordem Liberal. No último ato, um segundo jovem se aproxima e beija a boca do rapaz escultural que se contorcia e, nesse momento, a pessoa que filmava teve a consciência de que tinha o bastante.

– Isso está em um site pornográfico. Versões mais suaves estão no jornal da manhã — disse Rafael, e desligou a TV.

– Amor, eu…

–Seus votos — cortou o companheiro, respirou e continuou — Quatro mil eleitores retiraram seus votos

– O que?

– Você não vai ser primeiro ministro se perder o mandato de deputado.

Lauro pôs a mão no peito e tentou pegar ar.

– Rafa, isso não teve…

– Você gosta de pau. Eu sei.

– Não fala assim. Eu…

Quando tentou explicar alguma coisa, Rafael baixou a cabeça e ligou a tela do celular para atualizar o feed.

– Dez mil. E ainda são sete da manhã. Nesse ritmo, você perde o mandato antes do almoço.

Laranja

O carro que levou Lauro e Rafael para o Setor Empresarial Norte, na sede do partido, estava sombrio e calado como um rabecão. Na torre espelhada que Oscar Niemeyer amaldiçoaria, estavam os caciques do POL no Senado e na Câmara, e membros de outras legendas que haviam costurado a aliança conservadora que governava o Brasil há cinco mandatos. O candidato homossexual assumido e monogâmico era uma aposta arriscada, mas, ao mesmo tempo, silenciava as recentes manifestações pelo retorno do Casamento Homoafetivo e contra a Lei das Quatro Paredes. Lauro tinha o discurso afinado de que sua vida pessoal acontecia em seu lar, não se considerava apto a criar um filho “sem mãe” e mantinha o mantra das últimas décadas de que violência era um problema que atingia a todos, e o preconceito, apenas uma loucura de alguns.

– Anos. Gastamos anos criando um homossexual aceito pela família brasileira. E olha o que você faz — disse um ancião papudo com botox nos pés de galinha.

– Quem permitiu filmagens na festa do partido? — Tentou se defender.

– Nunca mais repita isso! NUNCA! Conseguimos abafar que a filmagem foi no Higher Estelita — e se arrependeu de dizer o nome do condomínio em que o partido ganhou um triplex de uma construtora afeita a esses agrados — Isso não pode vir a público nunca.

– Você vai renunciar e vamos lançar o Manhães — disse o líder do Partido Cristão. — Não vamos permitir que nossos deputados se queimem votando em um ímpio.

– Não, espera! A gente pode fazer uma coletiva. Falar alguma coisa — disse Lauro.

– Falar o que? As pessoas estão vendo você chupar um pau e não são nem dez da manhã — retrucou o senador.

O constrangimento de Lauro fazia com que escorresse pela poltrona de couro caramelo.

–Eu posso falar — Rafael interrompeu os caciques ao ver o amante sem resposta. — Direi publicamente que o perdoo, que nossa intimidade foi exposta de forma absurda e que isso viola a Lei das Quatro Paredes.

–Você só pode estar brincando — disse ainda mais ríspido o líder do partido aliado — A última coisa que as pessoas precisam é ver no púlpito dois homens e imaginar que dão o cu.

–Pode dar certo — disse o deputado mais votado de São Paulo — Muita gente vai se identificar com o vazamento e pode se solidarizar com a preservação do lar e o perdão.

–Que lar?! — gritou o parlamentar relutante, vermelho como se queimassem em sua boca as línguas de fogo.

–Pense um pouco, Dias — continuou o empresário que venceu a eleição no distrito em que seus empregados não conseguem pagar a faculdade dos filhos. — As pessoas que votaram no Lauro já sabiam que ele era gay. E nós acreditamos na candidatura dele porque ele ao mesmo tempo acalma as manifestações e mostra um modelo de vida que deixa as pessoas mais seguras. Elas vão ficar até felizes de reafirmar que ele é um promíscuo entre quatro paredes. Temos é que ser firmes em dizer que esse tipo de imagem não pode ir a público nunca, porque ameaça as nossas crianças.

–Pode funcionar — disse o presidente do POL, olhando desconfiado para Rafael.

Amarelo

Duas dezenas de jornalistas estavam na coletiva de imprensa montada no salão de convenções de um hotel vizinho. Muitos transmitiam ao vivo em seus celulares e câmeras profissionais, e os fotógrafos sentavam nas fileiras da frente, despojados, esperando que surgissem seus alvos.

Com ternos de corte elegante e gravatas discretas, o casal chegou disparando uma percussão de clicks e um coral de repórteres narrando os fatos ao vivo. Eram dois homens altos, de cabelo bem cortado, rosto de pele macia e corpos com as proporções midiáticas de ombro e cintura. Eles precisariam de toda essa beleza e de muita sorte, pois vinte e cinco mil votos já estavam perdidos.

–Bom dia a todos. Senhores e Senhoras jornalistas — começou Lauro — Bom dia aos meus eleitores, que acompanham ao vivo. E a todas as famílias brasileiras. Não é segredo para nenhum de vocês que eu vivo em pecado. Eu sou homossexual e, apesar de não considerar relevante dizer isso a todo momento, jamais escondi isso do povo brasileiro. Muitos de vocês assistiram a um vídeo indevido, e peço perdão a vocês e a Deus pelas cenas que viram.

Seu rosto era duro e inexpressivo durante o discurso. Suas palavras eram plástico da melhor qualidade.

–Peço perdão também ao Rafael, publicamente — disse olhando nos olhos do namorado — Peço com humildade e constrangimento, pois me sinto humilhado. Mas além disso, quero dizer que estou indignado. A Polícia Federal já está apurando as responsabilidades pelo vazamento dessas imagens imorais e que tanto nos ofendem. A atitude de quem fez isso me enoja, já que sempre prezei pelo respeito às famílias brasileiras em todo lugar em que estivesse ao alcance de seus olhos. Nossas crianças e jovens não podem ser expostos a tão vil ato contra suas inocências, especialmente quando a indecência envolve e também vitimiza agentes públicos que lhe servirão de exemplo. Pelo meu pecado, que deveria ser de foro íntimo e assunto a tratar com nosso Senhor, peço novamente perdão. Contra o crime praticado por esses marginais contra nossas famílias, peço justiça. Para terminar, gostaria de passar a palavra à minha dupla de tantos anos de fidelidade e compreensão.

Os jornalistas estavam silenciosos e, por que não dizer, chocados. Certamente havia homossexuais na sala, e, dentro deles, um sentimento doloroso de humilhação ruminava a dignidade. Rafael gaguejou ao tentar a primeira sílaba, mas conseguiu continuar.

–Se eu recebi com muita tristeza essas imagens, só posso dizer que sinto uma revolta muito maior por saber que nosso esforço em respeitar as famílias foi violado dessa forma. Em jantares e compromissos públicos, jamais tocamos nossas mãos. Nossos vizinhos aqui em Brasília sequer nos veem ou nos ouvem. Nós buscamos preservar até mesmo os nossos empregados com nossa discrição e respeito. Meus pais jamais viram um beijo ou ouviram uma palavra desrespeitosa na sua casa ou na nossa, quando estão presentes. Nós acreditamos na tolerância e vivemos dessa forma, aceitando a opinião da maioria do povo brasileiro, que é temente ao mesmo Deus a que pedimos perdão. Todos os dias. Se podemos viver nessa harmonia, é porque sabemos o lugar para cada coisa — parou com os olhos marejados, respirou e concluiu — Para encerrar, ponho em prática mais uma lição de Deus: o perdão. Eu te perdoo, Lauro, em nome de nossa relação fiel, responsável e que só diz respeito a nós. Nós vamos ouvir suas perguntas agora.

Verde

A cúpula da frente conservadora na Câmara dos Deputados acompanhava tensa a desaceleração da perda de votos de Lauro Alvarez. Mais votado no distrito central de Belo Horizonte nas últimas eleições, ele seria o primeiro parlamentar de seu partido a ter que devolver o mandato por perda de votos. A novidade que permitia isso foi aprovada junto com o voto distrital na reforma política que entrou em vigor em 2026, permitindo que o eleitor reavaliasse seu voto a qualquer momento do mandato, em tempo real e com um clique no celular. Bastava uma denúncia do Ministério Público ou um viral negativo na internet para que mandatos caíssem em menos de um dia, com os eleitores retirando os votos que haviam eleito seus representantes. E esse sistema era especialmente cruel com escândalos sexuais.

Vitorioso em seu distrito contra uma candidata também homossexual, mas que defendia o oposto de suas ideias, Lauro sabia que havia um limite para a mudança de votos. Candidatos moralistas como ele dificilmente venciam no distrito central das maiores cidades, apesar de dominarem a Câmara com os votos dos subúrbios e interiores. Seu triunfo sobre Simone foi tão comemorado por isso, e sua única esperança era pensar que seus eleitores, mesmo decepcionados, não veriam na lésbica feminista uma opção.

–Daniel Muniz, do site Sentinela Ácido. O que mais aconteceu e o vídeo não mostra?

–Nada além do registrado indevidamente e contra o interesse público — limitou-se.

–Samara Vieira, do Mito Online. Rafael, o dito cujo era maior do que seu?

–Ele não vai responder isso.

–Telma Silva, do portal Fé Virtual. Recebemos o seguinte comentário de um leitor: “Meu filho assistiu ao vídeo. O que devo fazer?” Como que vocês respondem a ele?

–Seu filho foi vítima de uma violência e você deve processar os responsáveis pela veiculação das imagens e buscar seus direitos. Todos devem.

– Deputado, são suas imagens. Você não se considera responsável? — continuou a repórter.

–O único responsável por essa agressão foi quem publicou as imagens na internet.

–Thiago Ribeiro, do site da Folha do Distrito Federal: Você tem alguma pista de quem pode ter sido? As imagens parecem ter sido captadas de perto.

–Tenho suspeitas, sim. Mas vou manifestá-las em depoimento à polícia.

–Silval de Maria, do canal Mídia Bi. Seu pedido de desculpas ofende a comunidade LGBT. Não era hora de pedir menos demonização em vez de mais?

–Eu respeito a opinião de vocês. Respeitem a minha e a das famílias brasileiras.

–Célia Lima, da TVMG — disse uma repórter que se levantou no meio da plateia com um calhamaço de papéis — Nossa apuração teve acesso a um processo que desapareceu do site do Tribunal de Justiça de Minas em que Amanda Matos de Alencar muda de sexo para Rafael Matos de Alencar em 2012, meses antes de documentos de identificação, passaporte, carteira de motorista e de trabalho sofrerem a mesma alteração. Rafael, você nasceu mulher? Seu nome era Amanda?

Houve uma perplexidade canibal na sala de convenções. A expectativa no olhar da imprensa tinha horror, sim, só que em poucos olhos, porque transbordava de sadismo e deboche a maior parte deles. As manchetes “engraçadas”, as fotos “sugestivas”, e os textos “bombásticos” enchiam as imaginações transfóbicas de prazer.

O silêncio abriu caminho para um segundo jornalista insistir. E um terceiro:

–Você implantou um pênis?

–Então, vocês não são gays?

Azul

A coletiva foi encerrada por uma negação contundente. “Rafael era um homem de verdade, nasceu homem e ia morrer homem”, disse o deputado já ciente da queda livre que sua votação teria. Opositor icônico da “ideologia de gênero” e autor do projeto que obriga transexuais a andarem com documentos antigos e a se identificarem com o nome de batismo em estabelecimentos públicos, ele logo viu comprovada em rede nacional a denúncia da TVMG. O casal de homossexuais discretos, masculinizados, de boa aparência e defensores das famílias que não podiam formar não passava de uma abominação como todas as outras.

O partido anunciou antes de anoitecer a retirada da candidatura de Lauro, e os jornais da noite noticiaram sua perda de mandato. Como queria o líder do Partido Cristão, Manhães seria o novo candidato a Primeiro Ministro.

O imóvel funcional onde moravam há três mandatos em breve teria de ser desocupado. Era uma casa de que se podia sentir saudade, com muros altos e paredes grossas que eram comparsas de seus pecados. Sentado no único lugar onde beijava seu companheiro, a cama de seu quarto, Lauro Alvarez olhava fixamente alguns pontos e evitava falar ao telefone. Seu rosto perfeito de cinquentão estiloso e atlético parecia rachado.

Rafael subiu as escadas depois de um longo exílio no jardim de inverno da sala e parou encostado à porta, na entrada do quarto, novamente de braços cruzados.

–Então, foi tudo em vão.

–Eu sinto muito pelo que você está tendo que ouvir. Não é justo que as pessoas saibam disso.

Rafael fez que riu de reprovação.

–O que foi?

–Fodam-se as pessoas. Já acabou, Lau. Você já perdeu seus votos, seu mandato e sua eleição. Não precisa mais respeitar as famílias nem fingir que não tem uma.

–Não. Já falei com o Gianocci que posso mudar para o partido deles, me candidatar à prefeitura. Em dois anos, as pessoas vão votar em mim de novo. BH me ama.

–Não ama, Lau. O que nós tivemos que dar às pessoas para receber os seus votos não tem a ver com amor.

–O que você deu às pessoas por mim tem a ver com amor, sim.

–Com falta dele. Falta de amor por mim — disse Rafa engasgando em alguma coisa lamacenta.

–Não diz isso. Por favor, não. Eu te amo mais que tudo. Mais que a qualquer pessoa.

–Você não está me ouvindo. Não é possível. Eu disse que foi falta de amor meu, amor próprio. Falta de me amar. O que eu aceitei que a gente fizesse… Deus… É doentio. Você votou na lei que nos proíbe de beijar no portão de casa. As pessoas votam em você porque elas te odeiam e se divertem com a violência que você faz contra você mesmo. Contra todos nós. Você não está acabado, Lau. Você está livre.

Com lágrimas descendo pelas bochechas, Rafa desceu as escadas e deixou que suas palavras fizessem companhia a Lau.

Roxo

Longe do noticiário político, ficou mais fácil entender a política das pessoas reais. Lauro não se candidatou à prefeitura de Belo Horizonte, se desfiliou do POL e não voltou a conceder entrevistas. Ele era um bom economista, havia ganhado um salário enorme por anos e não foi difícil abrir algum negócio. Montou um café, a algumas ruas da Pampulha.

Rafael nunca disse que eles estavam livres juntos, apenas que não dependiam mais da propaganda em que armavam seus algozes. Ele falava sério sobre amar a si mesmo e precisou de um tempo para reencontrar a coragem que o fez atravessar as decisões mais difíceis e fundamentais da vida de um transexual. Mesmo que amasse Lau, viajou para longe, onde algum espelho pudesse mostrar alguém que fosse mais que um companheiro perfeito. Havia muitos países fabulosos para um homem trans gay experimentar a liberdade, e a Europa estava cheia deles.

Trabalhar no próprio café fazia Lauro conversar com as pessoas, e algumas das histórias ficavam marcadas. Um rapaz charmoso e de palavras bem escolhidas certa vez contou sobre um romance que tinha vivido recentemente em Barcelona, com um homem mais velho dono de certa pressa e assertividade na conquista. Era um parceiro completo na cama e, quando andava pela orla, não soltava sua mão nem por um minuto.

Beijavam-se sempre em Mar Bella, e com ele o rapaz havia aprendido a frequentar praias naturalistas. Sentiam-se confortáveis juntos e depois terminaram porque havia bem mais gente a conhecer. Mas ainda lembravam em mensagens como era sair sem roupa do mar e sentir o vento passar por todo o corpo. De não ter vergonha de sua nudez independente de qual seja.

Imaginando o quanto gostaria que fosse Rafael a ter essa sensação, Lauro foi interrompido em outro dia por um casal de jovens. Eles estavam bravos, chateadíssimos.

– Você sabe que é contra a Lei das Quatro Paredes permitir que sapatas se agarrem em locais públicos, não sabe? — disse alto a mulher, para ser ouvida no local pequeno e de poucas mesas.

De frente para a rua, um casal de mulheres dividia uma mesa, olhando desencanadas.

– Aqui não é um local público — respondeu Lau.

– Então, você compactua com isso? — insistiu ela ainda mais indignada.

– Eu não estou beijando elas. Você está?

– Olha o respeito, cara! — protestou o namorado.

– Vamos embora desse lugar, Henrique. Eu não acredito que já votei nesse aí. Pode ter certeza de que não vou recomendar esse café.

O casal saiu apressado e ouviu antes de bater a porta:

– Será um prazer não receber os seus amigos.

Depois, Lau se aproximou da mesa das mulheres, sorriu e puxou assunto.

– Como está a campanha, Simone? Alguma pesquisa?

Simone, sua antiga adversária, era uma das clientes mais frequentes no café. E era candidata à prefeita de Belo Horizonte.

– Estamos bem. Não precisamos de pesquisa pra saber que somos minoria, mas estamos bem. Debatendo, falando com as pessoas. Essas coisas.

– Essas coisas… Deixa uns adesivos aqui, uns panfletos. Quem sabe alguém se interessa.

- Obrigado, Lau. Quem sabe?

- Fiquem à vontade — despediu-se ele com um sorriso.

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