os contos abandonados
Aqui está um projeto descompromissado e de zero pretensões.
Risque aí em cima. Nem vou ousar chamar de “projeto”. É mais uma gaveta virtual. Podia ter dado o nome de gaveta virtual ou algo lírico, mas as ideias vem quando você para pra escrever, e não para fazer o texto de uma coleção do Medium.
Em 2013 eu tive uma ideia, boa àquele tempo e horrível hoje em dia, de fazer um livro sobre uma cidade fictícia que não se sabia bem ao certo como se chegar lá. A ideia era construir uma pretensiosa narrativa sobre esse lugar que é alcançado através de metáfora, inconsciente e simbologia. Curiosamente o A Voz de Delirium tomou esse caminho de uma forma muito natural, para o meu real alívio. Essa “vontade” foi preenchida, e essa ideia passou por inúmeras transformações.
Foi no final do ano passado que a ideia ruim se transformou tanto que tomou formas mais bacanas e interessantes, e comecei a escrever a história com o working title de “Não Sei Se André Morreu” (um péssimo título). A premissa era interessante: um cara que trabalha no que der e vier da área de jornalismo e publicidade é contratado por alguém para descobrir se André, um sujeito que não se sabe se sou eu (e com isso quero dizer o cara que escreve a história — que não sou eu de verdade, é todo mundo de mentirinha), morreu ou não. Sem saber de quem se trata, e adentrando em uma espécie de universo em que esse tal de André tem sim um renome, esse cara faz a investigação dele sustentada em conversas com supostos conhecidos desse tal de André que talvez tenha morrido.
E então a história seguia. Fiz planos para ela e até hoje ela me entusiasma, mas não dá para se focar nisso, nos roteiros do AVdD, nos trabalhos como freelancer e nos outros projetos “ainda não divulgados” do AVdD, tudo ao mesmo tempo.
Em um ato de boa fé ou desespero (deixo aqui o julgamento final para você), decidi colocar aqui o que tinha escrito dessa história acima. Isso invalida ela no futuro? Não, porque eu posso mudar tudo, transformar e reordenar algo que nem mesmo tinha ordem ainda. Mas (ah, sim, a história seria contada inicialmente em espécies de contos com ordem de leitura desarranjada) alguns contos foram finalizados. Quero dizer, eu leio eles e penso “acho que é isso, né?”, e portanto subentende-se que ele está finalizado. Acho que é assim que se finaliza um texto, né?
Conheça o contos abandonados.