Quando a morte me latiu — PARTE I

Ir à praia pode ser muito perigoso. Principalmente se você é tonto como eu. Eram três da tarde quando eu resolvi que, sim, daria tempo de ir caminhando até a praia. Um resumo, se você não pretende ler toda essa história: caminhei pra caralho, peguei uma carona constrangedora, fugi de um pitbull, escureceu e quase me perdi no matagal.

As vezes em que fui de carro não reparei como é longe o centro de Tulum da praia mais próxima. Mas tava tranquilo, gosto de caminhar. Caminhei por 45 minutos, até que comecei a pedir carona. Passaram vinte minutos e uma camionete parou. Era um mexicano gente boa, até que ele começou a falar pelos cotovelos e, em dez minutos me revelou o que mais odiava na vida:

“Cara, eu odeio brasileiros.”

O cara me contou das más experiências com os dois brasileiros de quem ousou se aproximar na vida. Uma namorada havia largado dele pra voltar ao Brasil e um sócio brasileiro teria supostamente fugido com dinheiro que era dele.

“E de onde você é?”, me perguntou em espanhol.

“Sou alemão.”, respondi, torcendo pra que ele não soubesse falar alemão.

Cheguei à praia depois de alguns minutos de um silêncio bizarro. Será que ele descobriu que eu sou brasileiro?

Fiquei um tempo na praia de Turtle Cove, uma enseada muito bonita, e resolvi caminhar até uma outra praia.

Na outra praia, pensei: por que não ir até Sian Ka’an, a reserva ecológica, já que eu estava na metade do caminho?

Porque a primeira metade já tinha demorado pra cacete. Se você pensou nisso, parabéns. Eu não pensei.

Caminhei, caminhei, caminhei. A tira do chinelo arrebentou. Começou a escurecer e só então eu reparei que a estrada não tinha iluminação. Àquela hora, às 18h, já não passavam mais carros onde eu estava. Era só eu, meu chinelo arrebentado nas mãos e um barulho estranho que vinha do breu, ao final da estrada de onde eu tinha vindo.

CONTINUA…


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