

Quando a morte me latiu — PARTE II
Eu sei que a maioria dos pitbulls são queridos e simpáticos, nada contra


Parte I: AQUI
N o meio da estrada, à beira da entrada da reserva ecológica, pensei em várias coisas. A mais idiota delas: se esse barulho for de um jaguar, meus irmãos vão ter mais do que contar pros meus futuros sobrinhos. Pensar nisso sempre me faz rir. Mar era pior, um pitbull daqueles bombados, com cara de mau e orelha cortada, me olhava como se eu fosse um pneu amarrado em uma corda.
Comecei a caminhar devagar. Ele começou também. Parava, ele parava. Virei de frente pro bicho pra procurar o dono, aquilo ali só podia ter sido criado à base de Whey Protein (e com certeza levantava mais peso do que eu no supino), mas era só eu e o cachorro. Até que chegou a hora. Vou exagerar um pouco o que vem a seguir, a verdade é que não passaram de 10 segundos de pânico.
É fácil notar quando um cachorro está prestes a atacar. O pitbull abaixou a cabeça e foi andando bem devagar, pata por pata, olhando pra cima na minha direção. Quando ele parou e se preparou para a largada, como fazem os corredores de 100m, comecei a correr também.


Foi surreal. Tenho certeza que corri mais rápido do que qualquer atleta profissional, Usain Bolt bateria todos os seus recordes novamente se tivesse um pitbull atrás dele, não tenho dúvida. De perto a cabeça da fera parecia maior que uma bola de basquete, mas com dentes. Dentões, todos pra fora, aquela boca arreganhada me arrancaria uma perna.
NHAC!
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Quando o pitbull fechou a boca eu já estava no terceiro andar de uma árvore. Ele ficou de baixo dela por tempo suficiente para a bateria do meu celular-lanterna acabar. Escureceu, não havia nem luz de vagalume e eu não conseguia enxergar um palmo a minha frente. Não sabia se o pitbull de 80 quilos ainda estava ali me esperando.
Silêncio total, mas eu não ia descer no escuro sem saber se havia ou não um pitbull marombado pronto pra me matar. Passaram 30 minutos ou duas horas, não sei, e os mosquitos começaram a me morder. Agora eu tinha duas opções: ser devorado de uma só vez ou em parcelas.
Eu achava que teria que dormir na árvore, até que me veio a luz. O salvador apareceu com os fárois da sua picape ligados. O pitbull não estava mais ali, mas por precaução pulei direto da árvore pra caçamba, vai saber. Ir à praia pode ser muito perigoso, seria melhor se fosse um jaguar.


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