O amor é fagulha a nos incendiar.

O amor que conhecemos é temporal. Imortal apenas na esperança de nossas energias se unirem as energias do universo.

Nosso amor é tempo que corre.

É o frio do norte. E o norte jamais morre.

Nosso amor é apreensivo. Por vezes, alusivo.

É poesia inacabada em pleno final de ano. Tudo ocorre no amanhã.

O amor é depois. E o depois pede, implora por pressa.

A pressa que nos acalma. Que leva consigo os dias em que éramos apenas nós.

Não acredite na união imortal do amor. São apenas contos. Acredite nos seres unidos por transbordar amor, por nos tornarmos um. Não apenas eu e você. Todos nós.

O amor é, intrinsecamente, união.

Erroneamente foi taxado. O amor é caro demais para ser influenciado por nossos setores. A inflação não o desvaloriza.

Deliberadamente, as instâncias do vetores o repelem, porém, o amor é imune.

E com o tempo, descobrimos que nosso plano não é amor. É preciso transpor as leis que nos algema aos conceitos ínfimos desse tempo.

Não amamos. A amor é grandioso demais para caber em seres tão mortais. Seres imperfeitos.

Amamos os cheiros.

Os jeitos e trejeitos.

Amamos os discos tocados até o desgaste emocional.

Amamos as memórias construídas em ferro e brasa.

Amamos os remorsos. As mentiras contadas rapidamente a todos.

Amamos os discursos longos.

As fodas rápidas.

Amamos as emancipações.

As antecipações.

Amamos os ideais transferidos e adquiridos.

Amamos o esquecimento.

Amamos o aquecer de nossas camas.

O gelar de nossos lábios.

O tocar de nossas almas.

Nossas energias transgredidas.

Então, não me ame.

Ame a união única que nos bota a prova.

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