Saindo da marginalidade mobile-digital

Devo ser uma das últimas pessoas com menos de 35 anos a ter seu primeiro smartphone e quero falar sobre isso.

Cansei de sofrer bullying e aceitei mais uma das benesses propagadas pelo capitalismo/concorrência/comércio livres e sou, há exatas duas semanas, mais um feliz(?) proprietário de smartphone. Já não contava mais as vezes em que, entre amigos, ficava por fora de um assunto desdobrado inicialmente via Whatsapp. Ou frases como “me passa teu whats” e equivalentes, as quais sempre respondia com uma gracinha pra explicar que não tinha acompanhado a evolução dos telefones celulares.

O velho guerreiro durante tarefa árdua: passar (quase) todos os contatos para o substituto.

Mentira. Só dei o braço a torcer porque o velho e guerreiro Nokia 2690 — tive que googlar por imagens pra saber a série do saudoso — já falhava excessivamente na recepção de sinal, o que atrapalhava em várias ligações e me dava uma certa insegurança caso fosse REALMENTE necessário alguém me contatar em um momento qualquer por meio do telemóvel.

Ainda engatinho(?), mas acostumo anova comodidade debouas. Contudo, continuo dando risada ante a possibilidade de sair fazendo selfies a torto e a direito. Não vamos com tanta sede ao pote — mas fotos de pôr do Sol, temos À REVERIA.

Roubar foto do próprio Instagram pode, né?

Falando em fotos, o Instagram. Gostei, realmente não tinha como avaliar esse app/rede social interagindo somente por desktop. É a linguagem visual acessível a todo mundo. Não é necessário ver os detalhes de cada imagem — até porque nem nas maiores telas de telefone há como fazer isso — , mas o conjunto cor/composição e, se tocar o seu gosto, dar like/coraçãozinho. Ainda, se uma atualização não apela ao ‘fazer bem aos olhos’, pode servir como registro de fatos/momentos por meio de foto ou vídeo. Ou tudo isso junto — podendo ter imagens bastante trabalhadas, também.

Me lembra o Twitter, naquelas de que o recorte de espaço te dá o caminho ou de traçar uns versinhos/piadinhas ou passar uma informação objetiva. Ou tudo isso junto — de novo. E também pela timeline seguir o talvez mais democrático (e aleatório) critério disponível a humanidade pra hierarquizar informação: o tempo. Nada de algoritmos do tipo eu-sei-o-que-você-quer nas janelas principais. Ufa.

E, já que falamos em algor… feissy-buk (aka Facebook), taí outra coisa com a qual minha interação passou a ser outra — e essa mudança é BEM positiva. Diminuí razoavelmente meu tempo navegando na realidade virtual do Markinho Zuckerberg com o acesso mobile. Tenho visto notificações, somente, ao invés de rolar & rolar & rolar a timeline. Há um raio de vida produtiva no fim do túnel/janela que é a interwebs, hehehe.

O Whatsapp me surpreendeu. Não sabia que, pra add alguém, era só ter o número da dita cuja na lista de contatos. Claro, depois vi que a pessoa adicionada precisa confirmar o contato pra, de fato, a conexão rolar. Aí vi que: a) tenho vários contatos desatualizados, e/ou b) tem gente que não me quer na lista de mensagens instantâneas, heheh — mas beleza, nem tenho muito a tagarelar, mesmo. Isso me lembra outra do Insta: conhecidos que não seguem de volta. Sigo quem conheço e acho que tenha algo interessante/curioso a compartilhar. Talvez um pessoal confunda um perfil pessoal com perfil ‘de celebridade’ nas redes sociais.

E o TINDER, hein?! Tenho que dizer, tinha uma visão preconceituosa dele. Mas, usando, vi que a simplicidade da coisa o faz extremamente igualitário — ao contrário de outro app famoso que tinha finalidade mais ou menos próxima que me vem à mente, o Lulu. Afinal, só há conexão se as duas partes manifestam interesse, e isso de forma totalmente independente. Aí ‘cê vai me dizer ‘ah, mas é mercantilização da pessoa, etc.’. DEPENDE. Já dei like em mina por ~foto artística~ e citação de filósofo (mas não me peça pra lembrar a citação). E sempre dá pra SUBVERTER os canais estabelecidos. Outra: teoricamente, é um app pra arranjar encontro. Dá pra reclamar da aparência física sobrepujando o contato de ideias/pensamentos/whatever logo de cara, mas há de se convir que SIM, a aparência é, em algum momento, um componente importante no interesse por uma pessoa. Não é uma questão de O QUE, mas sim QUANTO (ou COMO?) cada coisa importa na Equação da Atração Mútua.

Enfim.

Ah! Uma coisa importantíssima: MÚSICA. Tenho muito mais espaço pra armazenar mp3 — streaming? ‘cês ‘tão loucos? Mas esperava algum app revolucionário pra reproduzir música. Enquanto nenhum me convence, sigo com o Play Música, do Google. Inicialmente pensei que fosse somente um serviço de streaming — mais um! -, mas também reproduz mp3. Amém.

Ainda tem coisas mucho locas nessa nova vida mobile, tipo o teclado do Google e sua digitação por rabiscos por cima do teclado, o corretor ortográfico que m’atrapalha pra escrever coisas como caralho ou as minhas contrações usuais — vide o m’atrapalha anterior. Ou o Evernote, que parece ser o app para eu (e todos nós?) me tornar a pessoa mais produtiva do universo em qualquer lugar, a qualquer momento. Mas que, apesar de QUERER, quase não uso — desculpem, sou um velho que prefere o bloco de notas. Um (app) que ‘tou louco pra usar, mas ainda não o fiz, é o Periscope. Talvez logo menos encaixe alguma ação de conteúdo da Frida com o dispositivo…

Bueno, acho que é isso. Achei que, como um outsider da tecnologia, seria legal compartilhar minhas primeiras impressões nesse novo momento. Peço aos leitores desse texto que comentem. Vamos fazer a informação virar comunicação, heheh.


Acompanhe a Contra: Facebook \\ Twitter \\ Google+

Contra ("... and at least two words.")
Música, cultura, comportamento. Notícias. Histórias