A Confissão de Lázaro

Nos últimos tempos, eu me tornei uma pessoa muito pior. Não sei em que momento ao certo, mas a excelência não habita mais em mim. Eu deixei de ser atraente, não consigo mais ter foco, meu dinamismo foi trocado por um ostracismo miserável e meu desempenho é lastimável até se comparado aos iniciantes. É como se o limbo me consumisse casa dia mais.

A verdade é estou com a mente velha. Não aquele velho bom, que atrai o amadurecimento. Mas o velho, podre, mofado, não redivivo. A falta de expectativa é uma companhia inexata que me faz querer beber todo santo dia e tentar esquecer o qual ruim foi viver mais um dia. Não há vida, apenas uma sobrevivência diária, como um cão moribundo que arfa o noturno ar pútrido.

Cabou! Me leva, Deus.

Então, resolvi proclamar minha desistência.

SIM! Eu não sou e nunca serei excelente.
SIM! Eu estou cambaleante, tentando encontrar equilíbrio novamente.
SIM! Não há mais nada vivo em mim, além da fraca lucidez desses pensamentos.

Eu sou um semi-morto às portas do meu próprio cortejo esperando um mestre que me reviva. Mas isso não vai acontecer (agora, a ressurreição). Por dois motivos:

1- Não haverá a ressurreição, sem que haja a morte.

2- Não haverá um novo começo, sem que haja uma atitude de querer isso.

Eu abdiquei do remendo para tentar ser um novo. Eu desisti do que me fiz, para galgar tudo de novo. Não adianta mais tentar ser o bom, pois eu não o sou e nunca mais o serei.

Não como antes, mas de uma outra forma.

Me perdoem aqueles que acreditaram em mim e todo o investimento que se faz em meu nome. Eu os decepcionei largamente e não conseguirei ser metade do que desejaram pra mim.

Eu hoje tento ser outra pessoa, outra coisa, um outro alguém que deseja estar na sua melhor forma possível até agora. Aquelas estações passadas decaíram e mudaram diametralmente para uma nova coisa que nem eu sei. Eu não quero pedir perdão, eu quero apenas agir e tentar ser diferente daquilo que sempre se odiou em mim.

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