Será que é isso que é estar sozinho?

Aqui está um texto sem muito propósito, sentimentos ou o que dizer sobre o que está acontecendo agora. Talvez, até diga muito sobre o que eu estou sentindo, mas eu não posso garantir nada e nem dar isso como certo.

Estou arrependido de não ter pego um agasalho. Deve estar fazendo algo em torno de 22–24°C, mas sinto muito mais frio do que a hora que passei pelo portão da minha casa. O ar gelado entra nos meus pulmões e sinto como se me intoxicasse a cada inspiração, a cada vez que eu busco vida fora de mim.

Esse texto tem destino, porém ele não vai ser enviado para o destinatário. É como se quisesse falar com alguém em específico, entretanto não encontro receptor certo para o que eu estou sentindo.

Man sitting alone on park bench at night, by Jeff Bush

Chupei um pirulito, joguei o palitinho fora; me sinto mais enjoado do que antes, quando eu buscava o contrário.

Eu sinto exalar de cada parte do meu corpo algo parecido com medo ou susto. Porém eu não consigo dar nome a isso, pois não é racional. É interessante como tudo que acontece ao nosso redor ou conosco são coisas que estão sempre além da compreensão alheia. A gente nunca consegue falar tudo, nunca consegue sentir tudo, nunca consegue transmitir todo encadeamento linguístico que passa pela nossa cabeça para uma linguagem audível, visível, sensível.

Esse texto está sendo ditado, então muitas partes deles irão faltar. É como se fosse experimento de passar para o terciário aquilo que um primário sentiu e foi falado através de um secundário.

Desde antes das festas de fim de ano, eu me sinto completamente doente enjoado. Meu lado hipocondríaco diz que isso se assemelha aos relatos das pessoas que contam sobre a experiência de passar por uma quimioterapia. Isso é muito exagerado? Claro que é! Mas é assim que eu sinto e nada pode diminuir ou tirar isso de mim. Mesmo que eu queira muito. Meus tendões doem. O enjoo, advindo não sei de onde, toma conta de todo meu intestino. Isso não é algo novo, isso não é algo que eu não sentia antes em algum outro momento da minha vida. Mas é estranho que no momento mais feliz, o momento que eu mais amo do ano inteiro, eu sinta no corpo aquilo que mais repudio: a fraqueza.

Eu não sei o que vou fazer agora. Estou caminhando a cerca de 10 minutos por uma pista de 4 quilômetros. E estou perto de dar a volta, porém não sei o que vou fazer depois. Não sei se continuo em frente ou dou meia volta e mais outra vez, até descobrir o que está causando isso ou tentar esquecer o que me faz tão mal.

Contra Argumento

The beer wants to be free

A P O L O is natanael freitas

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Refresco de groselha, com sabor de limão, mas parece tamarindo.

Contra Argumento

The beer wants to be free