O divino e o profano

Ou quando o sagrado se mistura com a bebida anterior

Eu gosto do seu sabor.

Sabe quando eu te beijei? Oh, Deus! Como esquecer a infinitude de um único segundo? Era como descer um tirolesa sobre o lago num piscar de olhos, mas sem perder toda aquela energia que vem do fundo da alma, perpetrada em gritos.

Isso não tem a ver exatamente com amor. Tem a ver com te sentir, com te conhecer. A comparação que Ezequiel, o profeta, recebeu em sua visão: são águas de um rio caudaloso e profundo. Te experimentar dá medo. Dá. Faz a gente se sentir perdido e confuso. É dúbio, é doentio, porém é tudo aquilo que o meu coração deseja.

Minha boca está seca, desejando ardentemente ser molhada pelo frescor dos lábios teus.

Eu chego a chorar, a pedir aos céus que me tomem, pois não posso te ter. Que mundo ridículo e traiçoeiro, nos traga e nos draga todo o sentir e o desejar.

O meu desejo bobo é me esvaziar por inteiro, ser completo oco para expurgar a dor e a tua beleza do meu interior.

Pudera eu ser vazio só para me encher por completo do teu melhor, do teu amor.