Politicamente Curto

Contra Argumento
Nov 9, 2015 · 2 min read

Toda arte é considerada uma forma de expressão humana, que geralmente remete a sentimentos e reflexões íntimos de nossa condição. Entretanto, a arte também pode servir como veículo de informação, libertando-se do caráter introspectivo para abordar temáticas de utilidade pública, seja promovendo, criticando ou abrindo uma discussão sobre assuntos mais concretos. Neste sentido, apresento filmes engajados e preocupados com a realidade cotidiana, mostrando que arte não é sinônimo de alienação.

O primeiro curta-metragem não poderia ser mais atual. Trata da polêmica em torno da construção do Aquário de Fortaleza, obra governamental cujo gasto milionário visa um holofote turístico em detrimento de benefícios diretos e básicos à população. A alienação de boa parte das pessoas é representada pelo carnaval, onde quem está no topo das decisões mantém o status quo fornecendo uma alegria momentânea e irresponsável. No entanto, ainda há uma minoria consciente dos problemas que esta obra certamente trará em longo prazo, e a cena desta discussão é um interessante improviso que não poderia ser mais direto. Vale frisar que uma das locações do filme é o próprio terreno onde está sendo construído o Aquário.

Não fosse pelos últimos segundos, este curta não se enquadraria no tema. Apesar de consideravelmente forçada e totalmente desvirtuada da proposta inicial, a discussão ecológica que é levantada ainda é efetiva. Isso justamente porque é inesperada, chegando a decepcionar o espectador convencional que deseja ver mais do mesmo. É como se a intenção desde o começo fosse justamente quebrar o clima propositalmente. Um puxão de orelha para atentar-nos aos problemas da vida real, que são muito mais urgentes do que um final feliz para uma história de amor fofa.

Este é um interessante curta que trata de forma direta e imediata sobre a violência doméstica. Não há uma narrativa tradicionalmente estruturada, sendo mostrado apenas o momento do ato. Isso porque o motivo é totalmente descartável quando comparado à destruição brusca de uma família e os consequentes traumas provenientes disso. A câmera lenta nos obriga a prestar atenção em cada detalhe da brutalidade, evidenciando uma intenção de denúncia. O título é inteligente no trocadilho com a palavra “basta” (palavra italiana para que significa “pare”) com “bastard” (que em inglês é o equivalente a “idiota”, “imbecil” ou algo do tipo).

Esta é uma animação que aborda a origem da discórdia entre os homens. Esta pureza, livre de todas as complicações contemporâneas, torna o cenário atual risível de tão desnecessário e totalmente repugnante, visto que a solução parece mais simples do que o problema. A técnica de animação, além de tornar viáveis situações que exigiriam um enorme orçamento se feitas em live-action, promove um irônico teor cômico ao filme.


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