Tese do relacionamento afetivo

O Não

Já parou pra imaginar se todos os relacionamentos que tivemos tivessem uma garantia? Não estou falando que após todos os anos juntos você receba uma compensação por seu tempo gasto. Pensão tá ai pra isso (algo que devo estar pagando futuramente pros meus filhos). Estou falando da garantia da reciprocidade. Você gostar de alguém e ser gostado no mesmo grau. Isso quando existe ao menos o gostar, porque pode ser que não exista nenhum sentimento, nem reconhecimento do mesmo. Ai entra a temida rejeição. Aquela o qual a Coréia do Norte tem sobre os EUA.

Só que eu imagino que você seja um adulto e não entre todo dia no 4chan. Se tiver esses requisitos provavelmente já tenha desenvolvido meios para lidar com todo tipo de rejeição. Ok, talvez menos aquela onde num mundo não exista tortas. Rejeições de empregos, de sua mãe não fazer o feijão que goste ou de paixões, seja qual já possua ferramentas para lidar.

Para um emprego não alcançado talvez xingue o RH e já vai atrás de outro. Já para paixões, bem, se você tivesse uma que durasse para sempre teria um aneurisma. Para elas você tem aquela partida de FIFA com os bróders, a fim de tentar fazer a mesma façanha da Alemanha contra o Brasil. Grandes paixões são ótimas para conhecer novas músicas (algumas questionáveis) ou poderá acabar escrevendo contos onde ela seja seu personagem. No fim encontrará sua forma de lidar.

Só que sempre existirá o caminho contrário, aquele onde você é a pessoa que rejeita. Nele você não terá de suas ferramentas para superar, aqui você sentirá a culpa.

É inegável que com o tempo você se apaixonará por pessoas. Algumas vezes correspondido, outras não. Terá pessoas que se apaixonaram por você (algumas delas não saberá o porquê exato disso). Em outras você rejeitará. Nisso sobrará à culpa e as perguntas “Ela era uma ótima pessoa. Nem parecia aquilo que você dormiu na semana passada”. Perguntar-se-á do porquê de não ter ficado com ela e por algum motivo que você não entende, tanto quanto o mistério o qual perde suas cuecas.

Talvez eu simplesmente não goste de dizer não -o que espero caso tenha um filho supere isso- ou temperamento. Na minha cabeça receber um não é um processo que somente eu lido, já dar um não envolve outra pessoa, uma negação de afeto.


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