
A cada dia 700 novos carros entram às ruas para rodar em São Paulo, e é visível em todas as grandes cidades brasileiras que o trânsito é um problema crescente. Por causa dessa multidão, diversas propostas governamentais surgiram para incentivar meios de transporte alternativos, como as ciclofaixas, que fez com que a febre das bicicletas começasse. Além das mountain bikes com suspensão no garfo (suspensão dianteira), outra moda que pegou foi a das bicicletas fixas, o modelo hipster underground punk street das bicicletas.
Nascida nos EUA, a fixie — apelido das fixas em inglês — ganharam as ruas de Nova Iorque e São Francisco por meio dos messenger ou courriers, que nada mais são do que os entregadores de encomendas que pilotam bicicletas. Para eles, como o mais importante era uma bicicleta ágil e fácil de se consertar, se inspiraram nas bicicletas de velódromo e criaram a fixa de hoje. Seu funcionamento é bem simples, mas, para explicá-lo, primeiro vamos repassar como funciona uma bicicleta.
O mecanismo de uma bike é bem simples: você gira o pé de vela com os pés, eles rodam a coroa que, movimentando a corrente, também gira a roda traseira. Para a roda de trás de uma bicicleta girar, existe um cassete, uma catraca ou um pinhão. No cassete ou catraca você consegue adicionar marchas e, quando para de pedalar, a roda continua rodando, pois esses sistemas trabalham com a roda livre. Já o pinhão não tem seu movimento livre, ou seja, para andar pra frente você precisa pedalar 100% do tempo; se você parar de pedalar, a bicicleta para e, se pedalar para trás, a bike sai de ré.

No caso da fixa, sua relação — parte que faz a bicicleta andar — é composta por um pinhão e, por isso, tem o nome de “fixa”, já que esse pinhão fixo força o ciclista a pedalar o tempo todo, não podendo descansar as pernas. Esse mecanismo parece massacrante e complicado, mas lógica é simples: como a velocidade, aceleração e frenagem é controlada nas pernas, a bicicleta não precisa de freios ou de marchas, eliminando milhares de cabos e peças, simplificando ainda mais. Suas rodas são extremamente finas, pois assim diminuem o atrito no asfalto e desenvolvem maior velocidade, além de deixar todo o conjunto mais leve.
O minimalismo das fixas cativou milhares de ciclistas e entusiastas, principalmente devido à customização que elas permitem. Com cores, tipos de guidão, diferentes rodas e adesivos, é quase impossível encontrar duas fixas idênticas no mesmo espaço. Tudo isso combinado com o baixo preço e o lifestyle urbano fez com que as tribos mais undergrounds aderissem ao esporte, e o sucesso só foi aumentando.
Na França, EUA e Londres, corridas clandestinas de fixas começaram a surgir e ganhar adeptos, sendo conhecidas como Alley Cats. A ideia dessas corridas é o ciclista percorrer checkpoints no menor tempo possível, enquanto lida com o trânsito e os adversários. No Brasil, a primeira grande corrida aconteceu no final de Junho, a chamada Alley Rat.
Se interessou pelo estilo? É bem fácil montar sua fixie, e ela até pode ser comprada já pronta. Atualmente, lojas como Las Magrelas, Bike Ink. e Drac BMX podem montar sua bicicleta ou vender uma completa — existem casos até como o Cardoso Bicycles que monta o quadro da sua bicicleta do zero, de acordo com o tamanho do seu corpo. Só lembre-se: por conta do mecanismo fixo, você pode ter uma certa dificuldade de começar a pedalar uma fixa, mas é só investir em um capacete e treinar no parque antes de enfrentar o asfalto.

