Teimosia Criativa

ARTISTAS TÊM a habilidade e amabilidade pela teimosia, um senso de contrariedade acima do comum. Os melhores costumas ser arrogantes, irritantes e excentricamente grossos quanto ao comportamento com aqueles à sua volta. Passam horas fazendo apenas o que querem fazer, ignorando sua responsabilidade para com os outros e com a sociedade que os alimenta e suporta suas crises emocionais e formas ignorantes de expressão. E em alguns momentos são antissociais e tendem a afastar as pessoas à sua volta.

O artista tem a amabilidade por fazer o contrário do que todos fazem, por expressar aquilo que gosta e fazer o que todos consideram tolice e inutilidade. E a isso foi dado o nome de Liberdade.

O artista é a alma livre que nasceu para lutar contra as correntes que nos seguram desde antes de chegarmos a este espaço ínfimo de tempo a que pertencemos, e por isso ele tem a missão de aproveitar este momento curto de consciência que lhe foi dado quando antes não era nada além do resultado evolutivo da reprodução e depois não passará de material reciclável para a natureza e seus decompositores. O artista, assim como todos, tem um curto período de tempo para provar que passou por aqui, e muitas das vezes não importam se perceberão isso, ele estará satisfeito se provar isso para si mesmo.

O artista foi feito para produzir o que muitos passarão décadas e até séculos tentando copiar para se igualar.

O artista é a expressão da grandiosidade humana, a genialidade evolutiva que levou milhões de anos para se formar até se tornar o que é hoje. Ele não é melhor do que os outros, apenas põe em prática a habilidade que todo têm, mas reprimem. Muitos sobrevivem, o artista vive. Não precisa ser um gênio e criar algo que não exista matematicamente ou criar um estilo totalmente único para ser um artista, basta fazer o que quer.

O artista não é um gênio formado para ser melhor, é uma pessoa comum que se deixou crescer enquanto todos se prendiam para parecerem iguais.

Durante séculos houveram movimentos culturais e revoluções ideológicas, modelos de expressão artística e criações únicas do surrealismo da mente humana. Leonardo Da Vinci e Salvador Dali. Platão e Einstein. Mozart e John Lennon. Séculos de criatividades reprimidos, e ainda assim terão aqueles que darão vida a essa vontade de todos de expressar sua maior vontade, sua ideologia.

Há aqueles que usam sua criatividade para pensar em coisas que nem sequer existem, mas que seriam maravilhosas se fossem reais, criticam e põem vida em modelos de expressões da habilidade de discutir a verdade. Tolkien criou um mundo fantástico construído com seus anos de estudos e a vontade de criar. Há aqueles que pensam de forma maravilhosamente digna quanto a como nos comportamos, como nos relacionamos e tenta discutir isso quando muitos apenas ignoram por ser comum. Freud foi o pai da psicanálise. E há aqueles que gostam de discutir sobre como as ideias se formam, o que as coisas realmente são e a interpretação que fazemos disso. Pierce foi um grande visionário da Semiótica.

Artistas não são apenas aqueles que jogam tinta em uma tela tentando expressar a visão turva que temos das coisas. Ou aqueles que expressam com o corpo o que sentimos. Nem somente aqueles que utilizam de recursos para criar sons que interpretam tão bem a natureza de nossos pensamentos. Artistas na verdade são todos aqueles que passaram dias ouvindo sobre como iria ser difícil seu caminho. São aqueles que ouviram outros dizerem o que era impossível, que ninguém havia tentado isso antes e que era tolice e ainda assim tentaram.

Há um tempo em que ouvi em uma palestra sobre empreendedorismo que devemos apostar em nossas ideias, estuda-las e ter a certeza de que não são tolas. Mas há momentos em que não conseguimos pô-la em prática mesmo com todas as tentativas, isso não prova que a ideia é impossível, e sim que talvez não sejamos a pessoa certa para fazer aquilo, que não tenhamos aquele tempero essencial para dar vida à obra. E o artista, por falha de outros, passou a vida ouvindo que algo seria impossível, quando no final ele descobre ser aquele com o tempero necessário para completar o que muitos tentaram começar. Às vezes é ele a começar, enquanto outros terminarão. Mas independente do caso, ele é o louco teimoso que tentará aquilo, mesmo sabendo que tudo prova que pode não conseguir.

O artista tem por sua natureza uma teimosia criativa que o faz ignorar estatísticas, o faz ignorar fatos, o faz ignorar tudo que prove que é impossível.

Não é impossível, eu ainda não tentei.

E é por esse pensamento que os artistas se tornaram valorizados e hoje são modelos para a sociedade. Muitos falam de artistas apenas como os pintores, músicos e atores. Mas eu me refiro a todos que fizeram o que queriam e deram vida a seus sonhos. Um Steve Jobs com a visão de um modelo de empresa, mesmo não sendo seu engenheiro, tinha uma filosofia espetacular sobre o que consideramos inovação. Um Renato Russo com a vontade de criticar estado e também a sociedade que o rodeava mostrando que o erro maior está no meio de nós e não apenas no sistema. Ou um Albert Einstein que mesmo sendo humilhado por suas ideias tolas acreditando na tese de um físico fracassado seguiu em frente e revolucionou o ponto de vista da ciência como um todo.

O artista não se baseia na falha de outros, apenas a absorve para não comete-la e no final segue em frente. Mas acima de tudo, o artista é a expressão de uma teimosia criativa. Muitos poderão tentar impedir os artistas, calando-os, bloqueando-os em seus percursos ou tentando impor medos em seus gritos de ideologia. Mas os artistas são teimosos demais para se deixar interromper.

E o mais importante é que artistas podemos ser todos, e não apenas um. Não somos uma raça em extinção e sim um processo desenfreado do resultado do crescimento de muitos.

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