
Eduardo Leite vira alvo da CPI dos Exames
Embora tenham ocorrido depoimentos importantes — sobretudo de enfermeiros e médicos que enviaram memorando à Secretaria de Saúde informando da desconfiança -, está cada vez mais claro que a disputa política ganha espaço na CPI que investiga possíveis falhas nos diagnósticos de exames de colo de útero na rede pública de saúde de Pelotas.
Prova disso foi a reunião do dia 5/set, quando a queda de braço entre base e oposição ao governo Paula Mascarenhas (PSDB) foi o centro dos trabalhos. O motivo é a intenção de convidar para dar explicações o ex-prefeito Eduardo Leite (PSDB).
Atual candidato a governador, Leite administrou a cidade entre 2012 e 2015. Como a denúncia aponta que os resultados incomuns nos exames coletados nas UBS e analisados pelo laboratório Serviço Especializado de Ginecologia (SEG) iniciaram em 2014, vereadores do PDT, PSOL, PSB e PT querem que o ex-prefeito compareça à Câmara o quanto antes para falar. Querem pressioná-lo e, obviamente, desgastar sua campanha. O que gerou reação especialmente de parlamentares do PSD, PSDB e DEM.
O bate-boca mais acalorado tem sido entre Fernanda Miranda (PSOL) e o líder do governo, Fabrício Tavares (PSD).
Ela sustenta que Leite, Paula e a secretária Ana Costa devem ser ouvidos o quanto antes para esclarecer os motivos para o governo não ter tomado atitude desde 2014. Ele rebate afirmando que o objetivo do convite a Eduardo é prejudicá-lo na disputa ao Piratini. Diz que concorda em ouvi-lo na CPI, desde que seja depois da eleição.

Manobras de esquiva
Presidente da comissão, Marcos Ferreira, o Marcola (PT), faz o possível para fugir da polêmica. A primeira manobra foi após receber no dia 29/ago requerimento do vereador Marcus Cunha (PDT) para que Leite, Paula e Ana Costa fossem chamados. Valendo-se do argumento que o pedido partiu do suplente do partido na CPI, não colocou em pauta para votação. Coube, então, à titular Cristina Oliveira reencaminhar o documento.
Quando tudo se encaminhava para uma votação na reunião de 5/set, Marcola interrompeu a reunião para consultar sua assessoria se poderia votar. Alegando indefinição, encerrou os trabalhos e adiou em uma semana a análise do convite a Leite.
Insatisfação nos dois lados
A manobra de Marcola conseguiu deixar todo mundo descontente. A oposição porque tinha a esperança de ver o quanto antes o ex-prefeito em situação delicada: ou aceita a ida à Câmara se submeter à sabatina ou nega o convite e não explica os motivos do problema ter iniciado em sua gestão. Em ambos os casos haveria repercussão.
Já a situação, que acreditava ter maioria para derrubar o requerimento, não gostou porque pretendia acabar com o “problema”.
Gabinete da prefeita em ação
Vice de Leite e sua substituta no cargo, Paula tem atuado indiretamente para barrar a ida do candidato a governador à CPI. Através de sua assessoria de gabinete, articula acordo para que o depoimento — se ocorrer — seja dado apenas após outubro, passada a campanha. Apesar da pressão da oposição, a tendência no momento é que consiga.
Não será surpresa alguma se, nas próximas semanas, outros depoimentos forem priorizados e a definição sobre a ida ou não de Leite, Paula e Ana Costa se arraste.
