Alter Rio

ENSAIO de Miguel Pinheiro, Pré-Selecionado

É tão fácil reconhecer o Rio… Três letras apenas e logo as curvas excêntricas da Guanabara, as pedras que emergindo das águas são luz e fantasia para milhões pelo mundo fora, Corcovado e Pão-de-Açúcar, e lá do cimo o olhar baila de Copacabana ao Maracanã, nas bruxuleantes cores da Sapucaí. Como não conhecer o Rio? É tão óbvio o Rio, que o perdemos a cada dia…

Essoutro Rio, dos becos e das surpresas, das miúdas paisagens sutis, do cruzamento dos que sonham e constroem o fado carioca, é uma outra janela para o olhar.

Então, larga essa mesma bússola e experimenta um outro Rio. Na tua frente estão três africanos narrando a potência de uma nova chegada. E desta vez, não é o manto da escravatura que define o preto. É a possibilidade de ele poder ser, subjetivamente, todos os sonhos de todos os sonhadores do mundo: de Da Vinci a Muhammad Ali, de Sísifo a Munch, de Rodin a Al Capone, de Narciso a James Dean!