
Aos Queridos Tios Alaíde e Genésio
ENSAIO de Rafael Canuto, Pré-Selecionado
Trata-se da ampliação e reflexão sobre gestos simples e afetuosos, onde as relações interpessoais, em dada época, nos colocam em contato direto com a importância da memória, do tempo e da matéria em sua versão mais humana. Retratando a identidade impressa em cada letra, evidenciando as marcas do tempo e ocultando o rosto das pessoas envolvidas, procuro trazer para o nosso imaginário uma sensação de curiosidade, empatia e saudade.
No final de 2014, em uma viagem à Cabo Frio, tive um dia raro em toda a minha história com minha avó paterna. Conversamos por horas durante uma festa, e ela me contou sobre sua vida em Bom Conselho — PE. Fiquei emocionado com aquele momento e lhe prometi conhecer tudo de perto. Em setembro de 2016, no fio de sua vida, ela agora com 104 anos, peguei uma mala, um gravador, uma câmera e fiz uma viagem solitária para o agreste de Pernambuco.
Lá encontrei a família de meu tio avô Genésio, que permaneceu em Bom Conselho por toda sua vida. Foi inevitável penetrar em memórias que em sua totalidade não eram diretamente ligadas a meus avós, mas que de alguma maneira se relacionam pela época, grau de parentesco, espaço geográfico e cultural.










