Os Limites do Paraíso

ENSAIO de Cristina Cenciarelli, Pré-Selecionado

Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.” Carl Jung

Vivo em uma ilha que amo e que todo mundo chama de paraíso.
 Mas neste momento, sinto-a como um limite, um horizonte que limita meus desejo e vontades. Vejo as paisagens deslumbrantes como fronteiras que não posso atravessar: não são os limites naturais da ilha, mas os meus, interiores. Fotografando a natureza da ilha, rendo evidentes meus medos, dúvidas, meu estado da alma, fico quase sem pele, cega. A natureza belíssima aparece como um tempo suspendido, os lugares familiares e amados são portas que não abro, uma Ítaca que, hoje em dia, não consigo alcançar para sair dela, ou para viver nela.

Meus sonhos viram pesadelos, em imagens feitas de camadas e grão grosso. Crio horizontes alterados onde, de repente, imagens das minhas raízes romanas aparecem, sem querer, deixando dúvidas do presente e do que será o futuro.

É um profundo, misterioso horizonte mental, a luz contra a escuridão, e os limites onde se encontram.

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