Povo Araweté

ENSAIO de Alice Kohler, Pré-Selecionado

O Povo Araweté foi contactado pela FUNAI (Fundação Nacional do Indio) em 1976 quando buscaram as margens do Xingu fugindo do assédio dos Parakanã, ambos do grupo Tupi-Guarani.

Em 1977, eram 120 individuos. Hoje vivem à beira do Xingu e Ipixuna em torno de 400 pessoas, agrupados em 6 aldeias.

Conheci esse povo, durante os Jogos indígenas do Pará, em 2005, onde fazia trabalho voluntário para a organização do evento.

O que mais me chamou a atenção, quando os conheci, foi o desconhecimento deles sobre nossa sociedade. Estavam realmente saindo da floresta. Vinham à cidade de Altamira pouquíssimas vezes e não tinham relação com o dinheiro, a moeda de troca e poder.

A convite dos Araweté e de uma professor da aldeia , passei a ajudá-los em pequenos projetos, até que em 2009 visitei a aldeia pela primeira vez. Foi um amor tão grande que não consegui parar de visitá-los.

Nessas primeiras viagens, a Funai já contava com poucos recursos e os índios estavam abandonados, sem o auxílio dessa instituição governamental.

Em 2011, deu-se início a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, cuja a contrapartida seria o PBA-CI (Projeto Básico Ambiental-Componente Indígena) que em síntese era, manter a integridade do território e garantir direitos fundamentais à população indígena por meio de ações que fortalecessem as características etnícas, culturais e as atividades tradicionais e que promovessem a segurança territorial, cultural e alimentar.Esses objetivos nāo foram cumpridos e resultaram em doações de lanchas voadeiras, geradores, gasolina, cesta básica, roupas e uma quantia mensal para cada aldeia, que inicialmente eram três e logo passaram a ser seis como resultado desses “benefícios financeiros”.

Com isso, alguns grupos foram morar mais perto da cidade de Altamira e São Felix do Xingu, e outros permaneceram às margens do Rio Ipixuna.

Casas novas foram construidas, todas com telhado de amianto, impróprio para aquela região! Enfermarias e escolas foram criadas nas aldeias, e estradas atravessando essas áreas com muitos brancos em trânsito, provocando mudanças velozes e irreversíveis na vida e nos costumes desse povo.

Atualmente, a pobreza, as más condições de vida e a desconstrução da cultura material e espiritual têm levado a um inexorável etnocídio com o desaparecimento gradual dos Araweté, um dos últimos grupos contatados no Brasil, outrora exímios caçadores e agricultores.

Na mostra, a beleza e a simplicidade da vida dos Araweté são representadas através dos afazeres domésticos, das cenas familiares e dos momentos de lazer, que revelam uma dignidade única, ancestral, com a qual convivi, me emocionei e ainda me emociono. Este é o meu testemunho e minha emocionada homenagem a um povo brasileiro que não pode desaparecer e não pode ser esquecido.

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