Raízes do Ópio

ENSAIO de Gabriela Vivacqua, Pré-Selecionado

Pesquisando sobre tribos que vivem isoladas e por isso preservando ainda suas tradições, cheguei até a Tribo Lantan. Entre as colinas no norte do Laos, essa tribo oriunda da China segue um estilo de vida milenar, cultivando arroz e ópio para sua subsistência. Utilizado por diversas civilizações desde a era neolítica, o ópio ainda tem muito de seus “segredos” preservados pelos Lantan.

Usado em rituais xamânicos, como medicina, moeda de troca ou para fins recreativos, o ópio tem um papel significativo na vida dessa tribo. Na pequena vila de casas rudimentares, conheci Nan Li e registrei sua estória, que bem espelha a atmosfera intimista da vida simples no meio dessas colinas.

NanLi de 32 anos cria os 3 filhos pequenos (o marido foi embora), plantando arroz para subsistência na terra herdada de seu Pai. Sua Mãe mora com ela, mas viciada em ópio, passa o dia inteiro fumando e apesar disso é quem cuida do pequeno bebê, que aparenta viver também entorpecido. Para alimentar a família, NanLi precisa de ajuda na plantação de arroz e contrata pessoas na Vila, pagando-as com ópio.

A atmosfera intimista da penumbra em seu casebre, me impressionou. Fiquei por horas ali observando a lenta dinâmica…ela pesando ópio para pagar seu ajudante, o Xaman que fumou por 2 horas antes de iniciar a cerimônia, a Mãe deitada fumando, o preparo do arroz (o único alimento da famíia)…penumbra cheia de luz irradiada por ela, que firme segue cuidando de tudo.

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