Roças de São Tomé e Príncipe: um tesouro [quase] perdido

ENSAIO de Fillippo Poli, Pré-Selecionado

Um projeto de Filippo Poli e Isabella Gama, fotografias de Filippo Poli (2016)

Descobrir São Tomé e Príncipe é como ir a um lugar que não existe. Tão pequeno que não aparece no mapa, dificilmente se encontra no Golfo da Guiné, mas todos nós, mais cedo ou mais tarde, provamos um pedacinho dessas ilhas. (…)

Em roças de proprietários europeus, de quem já não se sabe ao certo o paradeiro, as casas principais foram ocupadas de maneira irregular e perigosa, ou foram saqueadas e destruídas. Em outros casos onde empresas agrícolas fazem a gestão da tímida produção de cacau, a casa-grande se conserva completamente fechada aos trabalhadores. A falta de um senso de pertencimento e representação mantém a dicotomia patrão/casa-grande e trabalhadores/senzala.

Essa diferença é bem descrita pela expressão pejorativa “gente de roça”, que ainda é dito a pessoas que vivem nas plantações e que continuam a ser consideradas parte de guetos que são relegados aos estratos mais baixos da sociedade.

Como pano de fundo, a força do clima e vegetação tropicais aceleram o processo de degradação dessas casas, com um alto custo de manutenção. As estruturas, algumas realizadas com um esmerado trabalho de marcenaria, estão sendo rapidamente engolidas pela natureza. O interesse turístico ainda insipiente, mas crescente, poderia pender a balança para as comunidades locais, mas o impulso ainda depende de investimento externo.

A narrativa fotográfica de aproximadamente trinta roças, tenta reconstruir a memória desses lugares, documentando a realidade atual e dando vida a este patrimônio arquitetônico que está prestes a desaparecer para sempre.

O projeto gira em torno de dois temas: o primeiro refere-se às estruturas principais das roças, fotografadas com filtros de longa exposição para restaurar a ideia de intocabilidade e destacar a força da fronteira, presente ainda hoje, entre a majestosidade dessas arquiteturas e seu contexto; a segunda, é um retrato da vida diária nessas comunidades que, apesar das dificuldades, continuam a ser uma parte ativa da história desses lugares.

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