A história de Totti nos videogames acabou


Com a entrada da linha 2018 de jogos de futebol no mercado mundial, nós romanistas lidamos com mais uma perda dolorosa: a despedida de Francesco Totti dos videogames. Essa história, que começou lá no fim dos anos 1990 quando os primeiros games eram licenciados, acaba em 2017, assim que você se livrar das últimas edições do seu PES ou FIFA. E isso deixa um vazio terrível que já é sentido no time profissional que faz suas primeiras partidas na pré-temporada.
As atualizações são crueis. Quem quer manter o seu jogo à par das transferências ou mudanças de elenco, já não verá mais Totti entre os selecionáveis da Roma, ao menos no FIFA 17, como avisa o amigo Daniel Babalin. E, verdade seja dita, qual é o sentido de retirar um aposentado do jogo antes do lançamento da próxima edição? A não ser que Francesco volte em algum pacote de lendas, seja no PES ou no FIFA, não será mais a mesma coisa.
O capitão terá sumido da lista do elenco romanista, sem volta, para dar lugar a outro camisa 10 que ainda não sabemos ao certo. Quem acompanhava Totti no videogame deve ter visto a sua evolução até o overall 90, alcançado no FIFA 06, quando o craque tinha 30 anos. Desde então, a lenta decadência bateu no 80, o que é bastante respeitável para um senhor de 41 anos que mal entrava em campo no time de Luciano Spalletti.
Relembrar Totti nos videogames é uma viagem no tempo. Passando pelos primeiros Winning Elevens, pelos FIFAs praticamente injogáveis até a era das lan houses com WE 10, Bomba Patch ou os games bons de Copas do Mundo. Cada um com as mudanças de visual que o capitão se sujeitou em sua longa estrada. Um batedor de faltas absurdo, um finalizador nato, um armador incrível. Quem tinha Totti no time, estava bem servido em várias funções no campo.
Das histórias virtuais

Em 2016, fiz um save com a Roma no FIFA 16, levando a Roma ao título na temporada de despedida de Totti. Mas o desfecho foi melhor do que eu esperava, vencendo também a Coppa e até a Liga dos Campeões. Contei essa saga na Todo Futebol, com imagens e alguns números. Ao fim da temporada, o capitão anunciou que estava se aposentando. Na vida real, felizmente ainda tivemos mais um ano com ele.
Neste ano, como não consegui sair do PES 2017 e dificilmente o farei até que a versão 2018 chegue às minhas mãos, resolvi assumir a Roma no meio da Master Liga. O ano é 2020, já rodei por Vitesse e Unidos United (sim, meu time fictício fundado em 2005) e cheguei até a Serie A. A Roma de 2020 é bem parecida com a versão 2016–17, perdeu poucas peças: De Rossi e Totti aposentaram e renasceram em outras equipes.
A minha primeira atitude como técnico giallorosso foi tentar recontratar os dois, com 16 e 18 anos, para serem titulares. De Rossi, que estava no West Ham, aceitou prontamente, mas Francesco preferiu ficar no San Jose Earthquakes. (????????) Nada que me impeça de fazer uma proposta nova ou até duas a cada janela. Não sossegarei enquanto não tiver Totti como meu camisa 10.
Enquanto espero o aguardo da nossa honrosa bandeira, que deve estar com outros planos para a sua segunda vida no futebol, me contento com o veterano Hagi como meia-esquerda e guardando a camisa tão especial. De Capitano para Comandante. O problema é que Hagi já está com 34 anos e não tem durado muito. E logo enjoo daquele uniforme com meia laranja. A expectativa para a próxima temporada é contratar Litmanen, de 32 anos, ou gastar todos os meus 70 milhões de orçamento tentando convencer Francesco a desembarcar em Trigoria.
Os melhores Tottis

O cabelinho não deixa mentir: Totti estava em grande fase em 2004, quando foi lançado o PES 4, em agosto daquele ano. A Roma estava uma bela porcaria, mas o camisa 10 era algo de espetacular. Dribles rápidos, muita agilidade, passes perfeitos (marca do Francesco real) e chutes abissais. Era muita apelação.
No PES 6, em que retomávamos um pouco da dignidade, Totti já fazia um papel mais de centroavante. A experiência fez bem a ele, que ampliou sua capacidade de finalização e continuou letal em cobranças de faltas e pênaltis. Recentemente baixei o jogo para PSP e estou na segunda temporada da Master Liga. Infelizmente, ainda não consegui subir o time de divisão.
Dizem que o do FIFA 17, como apontado pelo amigo Babalin, ainda era letal, apesar de lento. O que tenho certeza era que o do 16 já não tinha fôlego e nem dribles, mas passava muito bem e chutava com perícia.
Ao infinito e além

Totti não está morto para os jogos. O que dói é que não veremos ele envelhecer mais do que isso. Mas há algum consolo na despedida. Nós, romanistas, que geralmente parecemos senhoras viúvas em luto diário em nossos grupos de whatsapp, não temos muito mais motivação para continuar gritando pelos que sobraram.
Ainda levará alguns anos para assimilar que Totti, agora, pertence ao passado. Quando a tristeza realmente apertar, é bom que o PES 2017 esteja à mão. Ou que o PSP e o PS2 ainda funcionem para nos lembrar dos tempos de Francesco cabeludo, com fitinhas e uma década inteira de futebol e promessas de título pela frente.
São essas velharias que ainda nos permitem retornar à infância/adolescência com Ronaldo, Zidane, Maldini, Ronaldinho, Figo, Beckham, e tantas outras feras representadas no detalhe pelos videogames. Francesco é só o último golpe no coração dos gamers inveterados. Agora há mais um motivo para procurar aquele Pro Evolution Soccer 4 do diabo em um torrent qualquer.
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