A romada se avizinha

Foi um jogo asqueroso. A Roma saiu ganhando por 2 a 0 (Manolas e Dzeko) com menos de quinze minutos, mas amarelou e sentiu a pressão contra o Qarabag, pela Liga dos Campeões. Numa quarta-feira em que Francesco Totti fez aniversário, o presente foi uma vitória murcha e no sufoco. Os caras ainda conseguiram fazer um e por pouco não empataram. É, foi tão ridículo quanto você imagina ao ler apenas este parágrafo.

Acompanhar a Roma, mesmo contra um adversário ridículo, é uma tarefa que pode trazer certas surpresas. Mesmo com a tal blitz ofensiva na primeira metade da etapa inicial, o elenco entregou um desempenho pavoroso no restante do confronto.

Ataque desentrosado, meio campo errando muitos passes, Gonalons mais perdido que a dignidade do Gilmar Mendes, defesa exposta. A opção de Di Francesco em entrar com Gonalons, Pellegrini e Nainggolan no meio tirou muito do nosso poder de marcação em busca de ofensividade. Uma pena que Defrel tenha estragado tudo na frente, El-Shaarawy tenha sido discreto e Dzeko esteve bem marcado. Exceto os vinte primeiros minutos, não se aproveita nada da atuação romanista.

Dava a impressão de que seria uma baita goleada, seguindo a ascendente do time nas últimas semanas. Mas o que vimos depois que o Qarabag diminuiu foi uma equipe xexelenta, assustada com a reação dos mandantes (!!!!) e que passou perrengue até o fim. Na minha ousadia de tentar ver o resto do jogo durante a aula, tive de conter os xingamentos com as chances criadas pelo Qarabag. O mais aterrorizante de acompanhar uma partida em silêncio é isso: não poder mandar o Gonalons pra puta que pariu em alto e bom som.

A possível goleada foi murchando como um joão bobo furado, até que fomos seriamente ameaçados pelo empate. O que foi aquela cabeçada nos minutos finais que quase deu números iguais ao confronto? O Qarabag, mesmo jogando em casa, não estava minimamente à altura da Roma, o que deixa ainda mais inexplicável a forma como os jogadores de Eusebio se portaram. Nem com a entrada de De Rossi e Strootman a coisa melhorou. Defrel saiu para dar lugar a Florenzi e seguia a nhaca contagiosa.

Agora já é possível entender a ausência de Totti ao estádio em Baku. Foi bem melhor para ele ficar em casa, de chinelo e pernas para o ar, do que viajar até a casa do caralho para ver um jogo de merda como esse. O ponto positivo foi o golaço de Dzeko, digno de animar festas e ser reprisado toda vez que estivermos deprimidos. Que senhor centroavante, amigos.

Conforme a romada se aproximava, toda aquela empáfia (minha) do primeiro tempo sumiu. E o medo de passar mais um vexame histórico na Champions? Se bem que, para quem já viu uma eliminação em casa para o Slovan Bratislava na Liga Europa, empatar com o Qarabag é só um peteleco na orelha.

Não foi dessa vez que tomamos uma naba na Champions, mas certamente acontecerá na próxima rodada, contra o Chelsea. Preparem o espírito para o primeiro tombaço da temporada. Se essa atuação merreca — a pior da Era Di Francesco — contra o Qarabag não servir como exemplo do que não fazer em noventa minutos, sabe-se lá o que nos espera. A romada não veio. No entanto, ela já se avizinha. Estão ouvindo o barulho?

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