A velha maldição da lateral da Roma

Desde os anos 1970, o setor da lateral da Roma tem sido amaldiçoado por alguma entidade desconhecida. Tudo começou com Francesco Rocca, conhecido como Kawasaki, que estreou no clube em meados de 1972 e teve curta carreira até 1980, quando se aposentou prematuramente, aos 26 anos.

Quando estava inteiro, Rocca era um monstro, uma potência na ala direita, com extrema velocidade e alto nível técnico. O problema é que os joelhos de Francesco cederam ante o ritmo do futebol praticado e os seus ligamentos sofreram danos irreversíveis. Além da predisposição a se contundir, pesa o fato de que a medicina esportiva na época ainda era bem rudimentar. Rocca, que chegou a ser capitão eventual do clube na ausência de Renato Santarini, se aposentou com dois títulos na Copa da Itália, em 1980 e 81.

Já se passaram trinta e seis anos desde a despedida de Rocca, e a Roma continua sofrendo com problemas similares. Desde 2014, tivemos 12 baixas por rompimento dos ligamentos do joelho, aponta o jornalista John Solano, em sua conta do Twitter. O problema, no entanto, é bem específico.

Antes de mais nada, é bom frisar que qualquer jogador giallorosso que se preze está sujeito a lesões ameaçadoras. Mas nenhum outro setor sofreu tanto pelos joelhos quanto a lateral. O que caracteriza uma maldição que corre de geração em geração.

Os atormentados

O último grande exemplo de atleta que preso ao departamento médico é Rick Karsdorp. O holandês veio do Feyenoord nesta temporada e fez apenas uma partida. Justamente na estreia, contra o Crotone, na última quarta-feira, o garoto torceu o joelho e teve uma ruptura no ligamento cruzado. Ainda não há prazo de recuperação e Karsdorp passará por novas avaliações ao longo desta semana.

Quem acompanha minimamente a Roma, sabe que o joelho é um tema sensível para o plantel profissional. Recentemente, em setembro deste ano, Florenzi voltou aos gramados em grande estilo. Foram 11 meses de molho, incluindo duas rupturas seguidas nos ligamentos. A segunda, no caso, ocorreu na fase final dos treinamentos para retomar seu lugar no time. Floro não era o único lateral agoniado e pulando de cama em cama no DM.

Emerson, que emplacou grande fase na esquerda, caiu em maio de 2017: o mesmo maldito ligamento cruzado. Espera-se que o rapaz esteja apto para as rotinas de treinamento na próxima semana, quando começa o mês de novembro. Infelizmente, a lista não para aí: Mario Rui, agora no Napoli, mofou por 119 dias entre julho e setembro de 2016. Ninguém da torcida lembra da cara dele, em virtude desta longa ausência. Antes disso, tivemos também o caso de Rüdiger, que perdeu a Eurocopa pela Alemanha e só retornou em outubro de 2016.

O que comove em Karsdorp, a bola da vez, é que ele já chegou baleado a Trigoria, com um incômodo no menisco. Foi operado com sucesso, voltou aos poucos, coisa e tal. Ricardinho, coitado, não marcou nem noventa minutos em campo até sair de maca, preocupando a torcida no Olimpico. É natural que ele só se recupere plenamente em 2018, depois de fevereiro ou março.

Emerson está em fase final de preparação para retornar aos gramados. Deve reaparecer em novembro

Haja fibra. Para ser um lateral na Roma, você precisa ter muita sorte ou ligamentos de aço. Não há nenhuma explicação razoável para tantas contusões parecidas no mesmo time em tão curto espaço de tempo. Nem mesmo a rotina de treinamentos pode ser apontada como causa. É um grande mistério.

À parte do drama de Strootman, que tem fragilidade crônica em virtude da cartilagem de seus joelhos e já operado três vezes, todos os outros contundidos tiveram azar. Sério. Embora eu esteja bastante relutante em aceitar que é só uma grande coincidência, não encontro qualquer prova que sustente uma tese diferente. É difícil (e antiético) falar em negligência médica quando não se sabe como funcionam as coisas no cotidiano em Trigoria.

Karsdorp é o sétimo lateral que desfalca o elenco principal desde 2016 por lesão grave. O amigo Mateus Ribeirete, do Viúvas de Totti (ESPN FC), me lembrou que Nura e Luca Pellegrini, também laterais em busca de espaço, sofreram da mesma maneira. Pellegrini, aliás, deve estar 100% em janeiro de 2018. Mesmo que esses dois não façam parte dos planos de Di Francesco no momento, não deixa de ser alarmante a estatística.

Dentro desse contexto, a diretoria da Roma precisa averiguar o que está havendo e tomar uma providência. Quem sabe pedindo a opinião de fisioterapeutas italianos. E depois disso, quem sabe, possamos responder por que é que só o pessoal das laterais paga o pato.

Em termos objetivos, além do risco enorme ao resto da carreira de cada um desses atletas, os desfalques recorrentes provocam uma superlotação no setor. Para poder escalar dois jogadores saudáveis, um em cada lateral, a Roma precisa ter pelo menos seis caras, sem falar nos improvisados como Juan Jesus. Afinal, sabe-se lá o que pode acontecer durante a temporada.

Fica o desejo que Ricardinho tenha uma breve recuperação e volte com tudo no ano que vem. Se o holandês tomar Florenzi como exemplo, essa nova contusão não deve botar medo. Força, garoto!

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