Filho de peixe

Felipe Portes
Nov 7 · 4 min read

A Roma, pasmem, foi novamente punida no fim da partida e saiu derrotada do jogo contra o Borussia M’Gladbach por 2 a 1, na Liga Europa. Fora de casa, a equipe de Paulo Fonseca sucumbiu outra vez perto do apito final e agora terá uma missão espinhosa para se classificar no torneio.

Federico Fazio é um cara esquisito. Muito esquisito. É sobre ele que começo falando hoje. Garçom de diversos gols alheios, fez nesta quinta-feira mais um jogo que só ele é capaz de entregar. Autor de um gol contra e um a favor, o argentino se notabilizou mais uma vez por por suas panes mentais. Embora não tenha sido sua completa responsabilidade o lance do gol decisivo dos alemães, Federico manteve a proporção de um tento para cada palhaçada.

A Roma fazia uma partida satisfatória no Borussia Park e só empatava por conta da burrice do argentino, que tem apreço por fazer bobagem, só para poder se redimir depois. Parece de propósito. O resto do time se remontou para tentar buscar o empate, coisa e tal, Federico foi lá de novo e marcou, sendo um homem-surpresa.

O Borussia, líder da Bundesliga, mostrou força, mas esbarrou em uma Roma um pouco mais ligada. Por esse motivo, não entrou como queria na grande área, mas levou perigo em alguns lances. O fato que mais me intrigou foi que as duas equipes tentaram a todo custo manter a igualdade no placar. Uma briga intensa para chegar na cara do gol e errar, como fez Kluivert na segunda etapa, com a bola do jogo nos pés, mandando por cima. Pastore (que foi bem) também tentou uma vez e foi negado por Sommer.

Vou ser sincero e objetivo: estava bom demais se empatássemos. Muito bom. Tanto pelo rendimento em campo, ofensivamente, como pelo contexto da rodada. Ganhar fora de um Borussia em redenção seria muito complicado. Mas naqueles contragolpes rápidos, o time de Paulo Fonseca poderia (e merecia) ter marcado pelo menos mais um gol. Por outro lado, se fizéssemos, seria irreconhecível por parte da Roma. Quem falou que a gente consegue ter competência e sorte no mesmo dia?

Daí houve Marcus Thuram. Filho de Lilian Thuram, o cara é embaçado demais. Rápido, forte e com uma capacidade de raciocínio incrível, infernizou a defesa giallorossa. E foi para casa feliz com o gol da vitória. Em um cruzamento no último minuto, o francês subiu sozinho para cabecear e vencer Pau López. Smalling, no melhor ritmo de The Clash, não sabia se ficava ou se ia. O trator Thuram ignorou a dúvida do inglês e testou para garantir o triunfo dos mandantes.

Sim, meus caros, a Roma perdeu no último minuto. Como de praxe. Pela milésima vez no século. Foi como uma longa negociação em que nos contentamos com migalhas. Entramos achando que era possível vencer, depois fomos nos aquietando para aceitar o empate, tudo para que no fim o resultado fosse o pior possível. Na tentativa de barganhar um mísero pontinho, os fonsequistas ficaram sem nenhum. É a velha máxima: quem joga para empatar, perde.

Isso é péssimo por duas razões: agora a Roma é a terceira colocada no grupo J, com cinco pontos em quatro rodadas. E terá de visitar o motivado Basaksehir na próxima rodada, se quiser sobreviver. Um empate na Turquia, combinado com uma vitória do Borussia contra o Wolfsberger, nos obrigará a vencer na última rodada. Mas não é só isso: será preciso bater (e fazer saldo) nos austríacos e torcer para que o duelo direto entre Basaksehir e Borussia tenha um vitorioso. Não quero nem pensar no que pode acontecer se voltarmos da Turquia com uma derrota. Seria desastroso.

A Roma pode muito bem chegar aos 11 pontos e se classificar na raça. Assim como pode estagnar nos cinco ou somar oito. Só a primeira hipótese nos classificaria. Em suma: não há mais espaço para derrotas. Os resultados contra o Borussia até podem ser encarados com naturalidade, mas o empate diante do Wolfsberger ganhou um peso muito maior a partir de agora. A incompetência das últimas três rodadas já está cobrando seu preço.

A primeira vergonha é iminente. Os comandados de Fonseca conseguiram sair de uma situação confortável para uma em que não farão mais que a obrigação se obtiverem a vaga no mata-mata. Parabéns a todos os envolvidos.

Coração Aurirrubro

Autoironia, romanismo, corneta pesada, Tottismo e outras coisas mais. Pessimismo versão 2019–20.

Felipe Portes

Written by

Jornalista. Estudante de Letras-PT. Adepto da autoironia. Escrevo o tempo todo por paixão e necessidade.

Coração Aurirrubro

Autoironia, romanismo, corneta pesada, Tottismo e outras coisas mais. Pessimismo versão 2019–20.

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