Vem tranquilo, Borussião


Sete pontos separam a líder Juventus da Roma, terceira colocada. Depois da grande vitória contra o Napoli, que pode até não ter sido esteticamente o que buscávamos, mas como injeção de moral, valeu demais.
O 2 a 1 de sábado, apesar de todos os pesares e dos momentos em que a trave nos salvou do pior, trouxe à tona uma Roma mais valente do que estávamos vendo. Um time que ainda não é brilhante, mas busca aproveitar suas chances da melhor forma.
Nicolò Zaniolo. Uma peça que ajuda a explicar as novas esperanças de um clube arrasado pelo pessimismo e pelo desrespeito constante aos seus maiores ídolos. Com quatro gols em quatro jogos, o garoto não só se consolida como a força por trás dos últimos resultados, mas também como um ícone para o futuro.
Aposto alguns reais que a garotada dos seus 10 a 13 anos está delirando com Zani, e isso vai fazer com que, infelizmente, eles se tornem romanistas no futuro. Porque a vida é muito mais do que ser juventino, ganhar todo ano as mesmas coisas, com todo o orçamento do mundo à disposição, mas sem entreter sua torcida.
Esses meninos, claro, ainda encontram algumas barreiras para abraçar o romanismo. A começar pelo fato de estarmos há 11 anos passando em branco, com apenas uma final disputada nesse intervalo, vários vexames, coisa e tal.
Vencer o Napoli e roubar a terceira posição, de maneira definitiva, é uma declaração forte de Fonseca perante sua pior fase no comando da equipe. Era cedo, é verdade, mas a evolução que era tão cobrada, veio. Veio em resultados e em desempenho.
Falávamos aqui o quanto era difícil confiar na Roma fonsequista, e toda corneta era válida quando entregávamos pontos para rivais mais fracos. Mas a Roma parece ter se transformado em uma fera ferida diante dos assaltos recentes. A arbitragem tem jogado contra nós e isso deve ter irritado o elenco, que reagiu com um grande primeiro tempo no Olimpico. Atordoado, o Napoli demorou a sair das cordas, mas nos deu uma tarde de muitas emoções.
Foi um PUTA DE UM JOGO, vamos ser justos. Os dois lados criando inúmeras chances e, como eu antecipava no meio de semana, um empate seria bem vindo. O que dizer então de uma vitória contra um rival direto, que não foi tão merecida assim, mas mostrou que temos sorte? O Napoli nos amassou em certo ponto, com destaque para as duas finalizações na trave, no mesmo lance.
A equipe giallorossa não começou bem e agora está mostrando alguns acertos, Pastore resolveu jogar bola, Kluivert está menos inocente e Dzeko está muito mais voluntarioso do que outrora. A defesa ainda fica devendo, mas Mert Cetin soa como uma grata surpresa. É verdade que o turco dormiu no fim? Sim, mas está dando seus primeiros passos e encaixará bem com mais entrosamento, assim como Ünder deslanchou, deixando para trás um início decepcionante.
Enquanto a Inter parece ser a grande favorita para roubar o trono da Juventus e a própria Juve está em sua versão mais broxante, vamos seguir como franco-atiradores nessa Serie A que finalmente nos apetece. Quem diria que ao fim de uma sequência difícil de jogos, o Fonsequismo sairia renovado, e não estilhaçado em milhões de pedaços?
Um brinde aos novos ventos, e que eles finalmente empurrem a vela romanista no mar bravo. Cito Fonseca, na última coletiva, para explicar a mudança.
“É um período difícil, com todas as lesões que temos de lidar no momento. Os jogadores perceberam que precisamos estar juntos em todas as horas, que precisamos lutar com mais força do que nunca, correr mais do que nunca. É importante ver esta atitude vinda dos atletas”, disse o português.
Vem tranquilo, Borussia M’Gladbach. Vem tranquilo.

