Viver, aprender e ver a Roma se fuder

Felipe Portes
Aug 24, 2017 · 3 min read

Nessa tortura que é acompanhar a Roma nestes primeiros meses pós-Totti, a Liga dos Campeões sorteou seus grupos e nos presenteou com um belo de um chute no saco. Toda a expectativa por estar no principal torneio europeu foi pelo ralo quando conhecemos nossos adversários na fase de grupos: Chelsea, Atlético de Madrid e Qarabag.

Ora, bolas, não é como se fossem Barcelonas e Bayerns, mas ainda assim, é bom ir preparando o espírito para uma eliminação precoce e o redirecionamento para a Liga Europa. E não é exatamente uma depreciação pensar desta maneira. Tudo gira em torno de reconhecer nossos limites. Porque um time consciente de suas possibilidades não permite ter sonhos de passos maiores que as pernas.

Por exemplo: o que a Roma ganharia avançando até as oitavas de final? Uma boa grana, tudo bem, mas além disso, é pedir para tomar um sacode memorável de quem quer que venha. Tenha em mente o seguinte: se não tivemos sorte na hora do alinhamento dos grupos, o que indica que teríamos alguma chance de sossego entre os 16 melhores? Qual é a chance de pegarmos qualquer campeão nacional entre as cinco grandes ligas e o resultado ser um massacre?

Sabe quando a gente é criança e está aprendendo a nadar numa praia, acompanhado dos pais ou parentes mais velhos? Então, eles nunca permitem que deixemos a área rasa, para que nós não nos afoguemos em alto mar. É mais ou menos por aí. Nadar pela Liga Europa é o mais perto que chegaremos dos adultos.

Fosse a Roma uma pretendente a Sevilla, não uma postulante a ser o novo Milan, talvez teríamos algum sucesso. Quer dizer: talvez alguém na diretoria tenha a famosa “mentalidade vencedora”, um chavão muito usado entre meus amigos romanistas, mas que de alguma forma reflete a nossa realidade. Isto posto, cravo: a Roma ficará em terceiro lugar, se classificando apenas para a Liga Europa.

Porque simplesmente não há como tirar pontos suficientes de Chelsea ou Atlético, fora de casa. Pode até ser que vençamos os dois ou um deles no Olimpico, mas além disso é uma loucura que nem a melhor Roma de Spalletti permitiria projetar, que dirá essa Roma em transição com Di Francesco. E tem outro detalhe aí: é rezar para não rolar um vexame no Azerbaijão contra o Qarabag. Nada seria mais romanista do que empatar ou perder com um gol no final jogando contra um time mais irrelevante do que a opinião do Rica Perrone.

Sendo assim, amigos, vamos nos preparar para sofrer. Sofrer com a ilusão de que podemos beliscar o segundo lugar, sofrer a cada gol concedido pela nossa defesa, sofrer por ter a ciência de que a vaga na Champions só serviu como desafogo financeiro e mais nada. Esse torneio não é nosso lugar e quanto antes aceitarmos isso, melhor. Sem essa de esperança, de fé, porque isso aí não cabe na história do clube. Nunca coube e não vai ser agora que vai caber.

Que venha a Liga Europa e uma participação menos broxante do que a eliminação passada contra o Lyon. Com isso, não digo que acredito em título, pois isso seria uma estrada a se percorrer por alguns anos. Mas uma semifinal da LE, no mínimo, pode ser muito mais coerente com o projeto do que se meter entre gente grande e levar um sacode. A gente se autodeprecia, é verdade, mas ninguém aqui torce por vexames anuais. Chega de apanhar de cinta.

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Coração Aurirrubro

Autoironia, romanismo, corneta pesada, Tottismo e outras coisas mais. Pessimismo versão 2019–20.

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Felipe Portes

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Jornalista. Estudante de Letras-PT. Adepto da autoironia. Escrevo o tempo todo por paixão e necessidade.

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