Esqueçam Felipe Melo: é só uma nota de rodapé na história do Palmeiras

Luís Henrique Pereira dos Santos chegou ao Palmeiras no início de 1992, pouco antes do início da parceria com a Parmalat, depois de pelo menos um ano de especulação. Meia habilidoso revelado no Bahia, custou muito caro, rendeu pouquíssimo e foi embora depois de apenas alguns meses, 21 jogos, 5 gols, vendido para o Monaco, da França.
Osmar Donizete Cândido, o Pantera, se consagrou em cima do Palmeiras com três gols num dérbi que terminou 5 a 2 para o Corinthians, no nefasto e esquecível Paulistão de 1997. Já havia sido campeão brasileiro pelo Botafogo e da Libertadores pelo Vasco, mas chegou ao Palmeiras já em declínio físico e técnico, no segundo semestre de 2001. Disputou nove partidas, fez um gol, justamente num dérbi, que perdemos por 4 a 2, disputado numa quarta-feira à tarde, no Morumbi, por motivos de apagão.
Altino Marcondes, o Tato, ganhou fama como rápido ponta-direita na Inter de Limeira campeã paulista de 1986 em cima do Palmeiras. Um ano depois, foi contratado pelo clube e chegou a estampar uma matéria na Placar como parte dos “Três Porquinhos” que chegaram para a Copa União — além dele, o volante Célio, ex-Portuguesa, e o meia Delei, ex-Fluminense. Mesmo do nosso lado, Tato continuou habitando os pesadelos dos palmeirenses como o cara que roubou a bola de Denys, driblou Martorelli e fez o segundo gol da Inter. Foi embora um ano depois, com 57 jogos disputados e 11 gols.
Mais de 1.000 jogadores passaram pelo Palmeiras em 103 anos de história. De Bianco, o primeiro capitão, a Deyverson, o último do atual elenco a estrear. Em 2004, quando Mário Sérgio Venditti e Celso Unzelte publicaram o Almanaque do Palmeiras, hoje esgotado, eram 1.264 atletas. Há dezenas de ídolos, que louvamos o tempo todo, e outras dezenas, talvez centenas, de casos como estes, de jogadores que chegaram com alguma expectativa e foram embora, depois de algum tempo, sem produzir nada de relevante, sem deixar nenhuma marca na história a não ser sem lembrado em momentos em que rimos da própria desgraça.
Talvez nenhum nome recente marque tanto como Sergio Gioino, o argentino que passou por aqui em 2005/6 e nos brindou com sua habilidade em 37 partidas, sete gols marcados. Ou o desconhecido italiano Marco Osio, trazido pela Parmalat nos anos 90 para fazer turismo na Barra Funda.
Felipe Melo é só mais um Gioino em nossa história. Custou caro, falou muito, jogou pouco. Hoje há muita curiosidade sobre os bastidores do seu afastamento, teorias mil, entrevistas, áudios, muita conversa mole pra preencher espaço editorial. Daqui a alguns anos ele se transformará em mero personagem floclórico, nota de rodapé. “Lembra daquela pancadaria em Montevidéu que o Felipe Melo aprontou?”. Falar sobre ele, agora, é desimportante. O Palmeiras tem mais com que se preocupar agora: um Brasileiro para recuperar e uma Libertadores a conquistar. Já vai tarde.
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Publicado no ESPN FC em 01/08/2017..

