Atividade junto ao Fórum Teles Pires | foto: Caio Mota (CPA)

Centro Popular do Audiovisual

Quem somos e o que fazemos

O Centro Popular do Audiovisual (CPA) iniciou suas atividades, com este nome, em meados de 2016, mas sua trajetória de criação remonta à história do Coletivo Difusão, que nasceu da vontade de um grupo de jovens da periferia manauara em produzir cultura fora do eixo comercial e desenvolver ações de comunicação, há mais de 10 anos.

O audiovisual, tanto como produção experimental quanto como debate, logo se tornou um dos principais focos do Coletivo. Desenvolver a formação em comunicação popular e audiovisual da juventude amazônida para além das habilidades técnicas, com uma perspectiva voltada aos Direitos Humanos foi uma necessidade patente, observada pelo grupo.

Ao longo dos 10 anos em que se desdobraram em diversas frentes de atuação, inclusive originando outros grupos, o Coletivo Difusão maturou a ideia de criar esse espaço de formação libertária até encontrar subsídios que o permitisse, de fato, implementá-lo.

A partir daí, com o auxílio de colaboradores e parceiros de diferentes contextos e segmentos profissionais, o Centro Popular do Audiovisual passa a desenvolver suas primeiras ações enquanto organização social em torno do objetivo de provocar a juventude a comunicar-se, através de diferentes meios, com autonomia e exercendo seu papel enquanto agente social.

Atividades na aldeia Teles Pires (PA), em Novo Airão (AM) e Manaus (AM)

É nítida a compreensão dos integrantes sobre uma identidade amazônida e quanto à necessidade de articular suas ações e seus projetos para além do ambiente urbano. Essa postura configura, segundo Gohn (2010), uma característica dos movimentos sociais progressistas que atuam em prol de uma agenda política emancipatória e que, para isso, “realizam diagnósticos sobre a realidade social e constroem propostas. Atuando em redes, articulam ações coletivas que agem como resistência à exclusão e lutam pela inclusão social.”.

Apesar de ter uma gestão própria e autônoma, o Centro Popular do Audiovisual identifica iniciativas e organizações com as quais possa associar-se e, assim, se conectar às juventudes ribeirinha, indígena e das periferias urbanas e rurais — panoramas fundamentais na formação da sociedade e na cultura da região Amazônica:

“Com uma base em Manaus, trabalha os cursos de formação e em outras cidades da Amazônia atua com projetos de formação em conjunto com grupos, redes e movimentos sociais. O CPA além de trabalhar formação, busca estimular em sua atuação a construção e o fortalecimento de redes de comunicação na Amazônia que trabalham questões socioambientais, diversidade cultural e direitos humanos.”
Projeto político-pedagógico do Centro Popular do Audiovisual, 2016

Objetivos

Geral

Fortalecer as lutas por direitos sociais através de ações de formação em comunicação trabalhando a relação do audiovisual com os direitos humanos.

Específicos

  • Capacitar jovens e lideranças comunitárias em produção de narrativas, priorizando a participação de jovens de periferia, mulheres, negra(o)s, indígenas nas atividades;
  • Provocar a interação entre comunicação e narrativas audiovisuais com direitos humanos;
  • Articular as produções audiovisuais das atividades de formação com as pautas de movimentos sociais que atuam na Amazônia;
  • Contribuir com o emponderamento de jovens e lideranças comunitárias através do audiovisual.
  • Realizar atividades de formação em comunicação audiovisual, como oficinas e mini cursos, em comunidades indígenas, ribeirinhas, assentamentos da reforma agrária, quilombolas e de periferias urbanas na Amazônia, em parceria com as comunidades ou grupos e movimentos sociais que atuam nestes territórios.

Atuação

Com uma base em Manaus, trabalha cursos, oficinas de formação e atividades cineclubistas e em outras cidades da Amazônia atua com projetos de formação em conjunto com grupos, redes e movimentos sociais.

Manaus

  • Diálogos Audiovisuais - Projeto voltado para a conexão entre profissionais de cinema, pesquisadores e o público que acompanha as ações do CPA. Em 2017 já proporcionou debates sobre a obra do pioneiro do cinema no Amazonas, Silvino Santos, e também roda de conversa com os cineastas Sérgio Andrade e Ricardo Targino.
  • Cineclube Tudo Muda Após o Play - O cine ‘Tudo muda após o play!’ é uma iniciativa que data do ano de 2009 e que manteve sessões regulares até meados de 2012. Com um hiato de quatro anos, volta a ter sessões regulares no âmbito do CPA no final de 2016, com foco na difusão de plataformas de distribuição virtual de filmes e temáticas sociais em sua programação. Em 2017, o cineclube inicia a proposta de ‘programadores convidados’, com um tema definido mensalmente e o convite feito a uma pessoa ligada à proposta que indica os filmes a serem exibidos e debatidos no mês. Durante essa retomada já discutimos indústria alimentícia, feminismo, mobilidade urbana e políticas de Internet.
  • Formação - O CPA surge com a proposta de turmas fixas de formação contínua, e em seus primeiros meses desenvolve um laboratório de metodologias para construir seu projeto de formação livre. A primeira turma é feita a partir de uma convocatória aberta que garantiu cerca de 80 inscrições e onde foram selecionados 18 alunos para a turma da manhã e 15 para a turma da tarde com base em critérios paritários de gênero, etnia, idade e classe social. Já a proposta da segunda e terceira turmas é a de atender especificamente demandas de movimentos sociais parceiros com turmas de indígenas e de movimentos LGBT.
  • É no campo da formação também que o CPA oferece cursos livres como a ‘Oficina de videomapping’, parceria com o coletivo NozVJ que proporcionou o desenvolvimento de técnicas de mapeamento projetado de forma inovadora na capital amazonense, e a ‘Oficina de Cineclubismo’, ação em conjunto com a representação regional do Conselho Nacional de Cineclubes visando a formação de novos espaços cineclubistas na cidade de Manaus e a consolidação de uma rede de cineclubes amazonenses.
  • Núcleo de Estudos e Práticas em Cibercultura - O NepCiber é um grupo voltado para o desenvolvimento de pesquisas e ações no campo da cibercultura. Em fevereiro realizou o “Dia da Internet Segura” em Manaus, em parceria com a Safernet. A atividade visa levar conceitos de segurança da informação e divulgar formas de proteção de direitos na Internet. O NepCiber realizou sua proposta em uma escola pública de Manaus e da ação derivou uma parceria com a Secretaria de Educação do Estado para expandir o projeto e atender mais escolas.
Atividades de formação, cineclube e ‘Diálogos Audiovisuais’ desenvolvidos em Manaus

Rios Jaú e Unini

De 3 a 6 de fevereiro de 2017 o CPA participou de uma oficina de Educomunicação em Novo Airão (município que integra a Região Metropolitana de Manaus), organizada pela Fundação Vitória Amazônica — entidade que atua em projetos sociais das comunidades localizadas no Parque Nacional do Jaú e na Reserva Extrativista do Unini.

O desafio, ali, era fazer com que 25 jovens moradores de comunidades ribeirinhas (localizadas entre no Parque Nacional do Jaú e na Reserva Extrativista do Unini) compreendessem o processo comunicativo e sua importância para dialogar com seu entorno e o restante do mundo sobre questões e situações que lhes dizem respeito, mas que também despertam o interesse de diferentes setores da sociedade, a comunidade científica inclusa.

Nos primeiros momentos da oficina, organizamos dinâmicas de relaxamento, interação social e, por fim, apresentação de cada participante como membro fundamental das atividades. O objetivo dessas dinâmicas era firmar a ideia da coletividade, de conjunto de atores sociais que, juntos, construíram uma comunicação indispensável para e sobre a Amazônia: a revisão do plano de manejo do Parque Nacional do Jaú. Ao decorrer dos dias da oficina, houve um diálogo espontâneo e proveitoso, principalmente para entender de que forma esses jovens percebem a comunicação em suas comunidades e como podem trabalhar com as ferramentas e meios disponíveis em cada uma.

Atividades com comunidades indígenas impactadas pela construção de usinas hidrelétricas no rio Teles Pires

Fórum Teles Pires

O Centro Popular do Audiovisual trabalha junto ao Fórum Teles Pires desenvolvendo atividades de formação em comunicação e registros sobre as violações de direitos que acontecem nas comunidades indígenas, ribeirinhas e assentamentos da reforma agrária localizadas no rio Teles Pires, na bacia do Tapajós.

O Fórum Teles Pires é uma rede de proteção das comunidades que vivem ao longo do curso do rio e que sofrem com violações de direitos causadas por grandes empreendimentos (Hidrelétricas, mineração, agronegócio, hidrovias, etc).

Rio Pardo

A ação na comunidade de Rio Pardo, assentamento rural do município de Presidente Figueiredo (AM) que faz fronteira com a terra indígena Waimiri Atroari, é desenvolvida em parceria com a Fiocruz no projeto ‘Inventar com a Diferença - Cinema e Direitos Humanos nas escolas públicas’. A proposta é utilizar o cinema e o audiovisual como ferramentas de reconhecimento de identidade, território e pertencimento, em uma área de ‘fronteira cultural’.

"Inventar com a Diferença” na comunidade de Rio Pardo, município de Presidente Figueiredo (AM)