Las chicas del Cable e o feminismo romantizado

Primeira telenovela Espanhola da Netflix aposta em uma narrativa na era das telecomunicações

Lançada no último final de semana de abril, a série Las Chicas Cable, trata sobre a luta feminina por igualdade e independência. O romance é a primeira produção original da Netflix em parceria com a Espanha.

Sua premissa é o boom das telecomunicações em 1928, tempo em que ainda existia o ofício de telefonista. Apesar de ser a primeira aposta da Netflix em uma série com ambientação anos 90, a Bambú Producciones já tem bastante repertório no assunto. Seus produtos mais populares são Velvet (2014), que transcorre os acontecimentos da moda em 1958 e Gran Hotel (2013), ambientado num assassinato de 1905.

A atuação melancólica e misteriosa da protagonista Lídia (Blanca Suárez) e o triângulo amoroso com Francisco (Yón Gonzalez) e Carlos (Martín Rivas) contribuem imensuravelmente para o envolvimento com a trama. Os atores já trabalharam juntos na segunda telenovela mais cara da Espanha, El Internado (2007), o que favoreceu também a desenvoltura do trio. No entanto, o brilho ficou todo em Blanca, que já é mundialmente conhecida como Norma, a filha do cirurgião Robert em La Piel que Habito (2011), de Pedro Almodóvar.

O figurino e o cenário são os maiores responsáveis por colocar o espectador na esfera do começo das telecomunicações. A trilha sonora, no entanto, traz elementos do Pop Eletrônico misturados com o Clássico. Levando em conta o público-alvo jovem da Netflix, trazer esses elementos na música torna o envolvimento mais amplo.

Alguns clichês circulam pela companhia telefônica, como a secretária que ouve conversas, a sogra que não gosta da nora e o homem rico que pode ter todas as moças que quiser, mas escolhe ficar com a que não conseguiu conquistar. O roteiro segue o modelo espanhol, o que dificulta a audiência levando em conta modelos totalmente distintos que fazem mais sucesso no serviço de Streaming, como 13 Reasons Why (2017) e Stranger Things (2016).

O clima de telenovela espanhola torna a temática forte do feminismo mais tragável. Há diferentes abordagens sobre a situação feminina e atitudes masculinas. Ao longo de seus oito episódios apresenta três traições de diferentes maneiras e impactos. Um dos maridos é tido como sujo por trair sua mulher com a secretária; o segundo, apesar de trair sua namorada com uma das protagonistas, é perdoado por não gostar tanto dela; e o terceiro, estando casado, envolve-se em um romance com sua ex-namorada, porém ambos são justificados pelo amor. A posição das protagonistas em relação a esses casos torna questionável a principal intenção da série.

O findar do último episódio guarda a cena mais louvável para a luta feminina: Lídia prefere manter o único emprego de suas amigas do que ser fiel ao seu namorado, Carlos. Apesar de ser difícil diferenciar até que ponto a conduta foi colocada em prol do movimento feminino ou na pretensão de firmar uma segunda temporada, o episódio é surpreendente. A Bambú producciones já confirmou a segunda temporada e espera-se que o feminismo fique por cima do romance.

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