Publicidade ou apelação

Na semana passada, Cleo Pires e Paulo Vilhena se tornaram alvo de críticas e de tweets depois da polêmica em que se envolveram com a Vogue, por causa de uma campanha das Paraolimpíadas em que ambos os atores foram photoshopados nos corpos de Bruna Alexandre (para-atleta de tênis de mesa) e Renato Leite (para-atleta de vôlei sentado); Aparentemente a revista, usando a hashtag “#SomosTodosParalímpicos”, decidiu que seria acolhedor usar o rosto de atores conhecidos para gerar mais visualização para os jogos paralímpicos, que não estavam vendendo ingressos por si só.

Devido às criticas que circularam pelas redes sociais, a Vogue alegou que a campanha havia sido idealizada por ambos os atores, que acima de tudo são os embaixadores das paraolimpíadas. Os internautas alegaram que usar o rosto de atores no corpo de atletas era um grande preconceito, já que existem para-atletas bonitos o suficiente e conhecidos o suficiente para serem usados como chamativo para a venda de ingressos. Cleo Pires resolveu se manifestar frente aos comentários das redes sociais. “Preconceituosos são eles [as pessoas que criticaram]. Não tem erro nenhum em representar um atleta paraolímpico exatamente como ele é. Só vejo honra, mérito, orgulho”, afirma Cleo, de acordo com uma entrevista da atriz cedida ao F5.

A princípio a campanha é realmente muito impactante. Ver rostos de famosos no lugar de atletas paraolímpicos soa um tanto agressivo e preconceituoso. Mas, será que nós mesmos não colocamos os atletas paraolímpicos e suas deficiências em situações de fragilidade? E, será que, se estes para-atletas por si só, não são reconhecidos e alvo de audiência, não é um erro nosso (Brasil) por darmos mais visibilidade aos atletas olímpicos com um marketing e quase nem divulgar as paraolimpíadas?

Particularmente, eu tive muita dificuldade em achar dados básicos das paraolimpíadas como lugar dos jogos, horários e datas na internet e particularmente, eu conheço um e somente um atleta paraolímpico porque ele é patrocinado pela Universidade em que estudo.

Preferia sim que o rosto de uma das atletas vendesse mais que o da Cléo Pires, mas nem atletas olímpicos tem tanta visibilidade quanto atores e atrizes aqui no Brasil. É forte de se ouvir, mas é real. Aliás, doa em quem doer, a campanha da Vogue, além de inteligente e impactante, subiu a venda de ingressos dos jogos e a ética e moral dela depende de quem vê.

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