Uma Sexta-feira Qualquer

Chove. O céu é vermelho, mas o quarto escuro fica anil a cada estrondo. A luz da lua quase cheia, agora é patética, ali, escondida em meio ao mar de nuvens negras…
O vento assovia longe…bem longe…
Bem longe…tudo é um caos, o celular chama, o telefone toca, as pessoas gritam desesperadas, mas aqui, dentro de mim, só existem dois…não sei se um desses sou eu, mas o outro com certeza é você. Esses olhos. Só pode ser você. Eu nunca me esqueceria, mas confesso que nunca reparei se são castanhos…verdes, negros, azuis talvez; só sei que a única vontade que tenho é de fazê-los sorrir.
Te vejo nos meus braços…os pontinhos no seu rosto. Sinto sua mão acariciar meu peito. Leveza. Talvez algo cubra seu corpo…os pés frios, os lábios quentes, rachados. Frio. Sinto sua respiração, calma, quente. Ao fundo um instrumental, sem dúvida Yann Tiersen, Summer 78’. Foi o que ouvimos naquele inverno, não? Sinto seus fios de cabelo entre meus dedos, sua pele marmórea me dando calafrios…me sinto um pouco mais…pareço um pouco mais…
Estrondo. Azul. Silêncio. Devaneio…
Não sei quem, mas sei que existe alguém…sei que num dia frio, numa sexta feira qualquer, a gente se esbarra por ai e talvez eu descubra seu nome…seu cheiro…seus olhos…