Yes, nós temos (um time) banana!
Antes líder, o Flamengo agora briga pra se manter no G-6

O conto de fadas do Flamengo virou abóbora depois da Copa do Mundo. Todo mundo sabia que o mês de agosto seria exaustivo e difícil pro clube, se dividindo em três competições e não tendo o direito de fraquejar em nenhuma delas. Só que abusamos da sorte, e também da falta de vontade em campo. A zaga, antes sólida com as “torres gêmeas” Léo Duarte e Thuler, vê em campo um Réver que mais parece ex-jogador em atividade e Rhodolfo ainda sem ritmo de jogo, tentando se recuperar de lesão.
As ausências de Cuéllar — infelizmente, cada vez mais frequentes — evidenciam a fragilidade de marcação do elenco, que até ganhou o reforço de Piris da Motta, mas ainda mantém Rômulo e Willian Arão empregados. Nem preciso falar da crônica “presença da ausência” de laterais decentes no time: se juntar os quatro, não dá um bom. E a bananice ficou evidente com mais uma janela de transferências desperdiçada.
Enquanto a cor azul for mais importante que o vermelho e preto, seremos reféns da falta de glórias
Eliminado da Libertadores, o Flamengo se vê obrigado a vencer pelo menos um dos torneios que restam. Mas depois de ser surrado pelo Atlético-PR, dar um empate de presente ao América-MG e deixar a carroça desembestada do Lisca Doido passear no pasto do Maracanã, a Copa do Brasil virou a tábua de salvação do ano, o derradeiro da gestão Bandeira de Mello.
E por falar em política… o presidente ligou o foda-se e saiu candidato a deputado federal, em suposto descumprimento ao estatuto do clube. Alega ter “ajudado a resgatar a dignidade do Flamengo”, mas alguém precisa avisá-lo que saúde financeira não se traduz necessariamente em títulos. E para piorar, a eliminação na Libertadores coincidiu com o início das eleições para o triênio 2019–2021, com a oposição tentando “roubar” a cor azul da chapa de situação. A constatação é que enquanto cor de chapa for mais importante que o vermelho e preto da camisa, continuaremos reféns da falta de glórias e títulos importantes.
O que se viu contra o Ceará foi um crime de lesa-pátria: batido o recorde de público do Brasileirão 2018, o time parecia morto com um terço de jogo. Acabou punido com uma derrota para um rebaixável em casa, enquanto vê de camarote os adversários se distanciarem. O flamenguista dormiu em junho sonhando com o Mundial de Clubes e acordou fazendo a lista de compras: muito café e pipoca pra atirar na postura vagabunda, pífia e patética do elenco. Banana não precisa, já tem demais.

