Atrizes participam de campanha no Rio em luta pela diversidade racial

Chega de ser refém de maquiagem ou mesmo de cirurgias plásticas para padronizar os contornos do rosto ao modelo europeu. Pare de alisar os fios do cabelo só por causa das modelos de capa de revista. Nada de encolher os ombros numa entrevista de emprego ou mesmo ao entrar numa loja mais cara como se estivesse pedindo desculpas por estar ali, como se quem te recebesse estivesse fazendo um favor. Há beleza em nossos traços e força em nosso ser para ocuparmos o lugar que quisermos e que sonharmos. Para reforçar esse lugar de pertencimento e fomentar a autoestima, o Projeto Aisha lança nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, a campanha Cada tom tem sua beleza.

Apoiada por atrizes como Isabel Fillardis, Érika Januza, Juliana Alves, Zezé Motta, Elisa Lucinda, pela cantora Leci Brandão, entre outras, o movimento quer busca enaltecer a formosura, o encanto e a força
da negritude feminina.

“Eu sou um homem que lido diariamente com o conceito do belo e se tratando da beleza negra, sabemos o quanto é diversificada. Temos tantos tons de pele e precisamos ter orgulho desta melanina. São mulheres lindas. que precisam sentir-se fortes e empoderadas”, explica Thiago de Souza, Presidente do Aisha e um dos únicos cirurgiões plásticos negros do Rio de Janeiro.

Souza pontua que a campanha quer analisar a auto percepção de mulheres que fazem da própria negritude um ato político:

“Mais do que documentar a realidade de personagens negras como vítimas de
opressão, eu acho importante retratá-las como heroínas, belas e exuberantes,
sem esquecermos aquelas cujas vidas têm sido uma luta
antirracista”, completa.

A atriz e poetisa Elisa Lucinda enfatiza que o empoderamento da mulher negra começa pela beleza e passa por toda a construção de uma identidade:

“Eu acho a questão do empoderamento muito séria. O empoderamento de qualquer mulher é uma conquista. Porque foi dada a mulher por muitos anos o tratamento escravo, de uso sexual, de uso emocional, de uso administrativo da vida dos homens. É puxado. Então tem mulher que nem sabe o que é empoderamento mesmo trabalhando fora, ela mantém uma dependência emocional do parceiro. E que faz com que ela ache que não tem o poder que ela tem, mas que ela não sabe que tem. Uma campanha dessas é importantíssima, a diversidade não é uma exceção, é uma regra. Tem muito mais, mas muito mais gente diferente uma da outra e inclusive tem muito mais negros no Brasil do que brancos. Eu acho fundamental essa campanha, a autoestima agradece e a cidadania idem”.

O Projeto Aisha é uma instituição sem fins lucrativos que visa a
inclusão social e apoio profissional às mulheres e adolescentes. Em Yorubá a palavra significa Vida.