Criatividade — por AJ Oliveira

AJ Oliveira tem 26 anos, mora no bairro de Itaquera em SP, é freelancer de edição de audio, viciado em séries, animes e livros, e acredita na filosofia “anti longo prazo”, com o objetivo de colocar a 2º temporada de seu podcast Os 12 Trabalhos do Escritor no ar, terminar meu romance no Wattpad e trabalhar exclusivamente na campanha de financiamento de seu projeto.

AJ Oliveira

AJ, o autor

É mais um iniciante buscando seu lugarzinho na sombra (risos).

AJ, como um personagem

Como de costume, desligou o despertador e foi posto de pé pelo estralo das costas. Caminhou até a pia para lavar a cara, mas parou no PC, “Quem escreveu essa merda?” soltou, mesmo sabendo que fora ele mesmo. Então, depois da parada urgente na tela do Word, jogou água na cara e foi jantar, pois já era noite.

Em uma palavra

Autoflagelação(?). Não, não! Brincadeirinha ;P. Rigidez, essa é a palavra.

Sobre o projeto Doze Trabalhos do Escritor

Logo: Os 12 Trabalhos do Escritor

A ideia do 12 trabalhos sempre foi levar aos novos autores um conhecimento inacessível. Antes de contratar um consultor literário, todo o meu conhecimento advinha de podcasts e vídeos no youtube, entretanto, raramente a coisa saia do “mais do mesmo”.

Todos falavam sobre jornada do herói, ou sobre como o autor X pensou no enredo de sua história incrível — não que seja um problema ir por essa linha editorial, só que vários e vários veículos (incluo os blogs nisso) passaram a se replicar, mas sem perceber que se alguém fizesse uma linha do tempo desde a ideia até a publicação, haveria um vácuo de informação justamente nas partes mais importantes, que são o contato para com as Editoras, ou até a forma de se fazer visível ao mercado.

A partir daí surgiu a ideia, mas como eu não tinha nada publicado, achei que seria legal aumentar a dificuldade de produção e servir como interlocutor para as vozes de quem já sabe o que fazer. A partir daí eu fui muito apoiado por duas pessoas maravilhosas, Andre Vianco e o Lucien (idealizador do leitorcabuloso.com) e pude jogar essa produção pro ar.

Obra: Asas, Pingentes e Imortais

Capa de Asas, Pingentes e Imortais.

Seria tão fácil quanto desonesto dizer que não há nada de tradicional em minha estória, na verdade, sou do time que acha impossível reinventar a roda. Contudo, acho que ainda há muitos pontos de vista que faltam ser abordados nos próprios clichês literários, e é isso que eu tento fazer em “Asas, Pingentes e Imortais” quando misturo mitologia cristã e grega com o esoterismo num todo. Chega de órfãos promissores ou gênios escolhidos por uma profecia X ou Y, chega de jornadas heroicas, cheias de louros, flores e glórias. Meu objetivo é abordar uma fantasia jovem adulta em ambiente urbano, tendo como premissa “A vida como ela é”.

Sobre a obra: O Romance retrata a vida de Benjamin, um garoto esquizofrênico que mora em um ambiente neopentecostal extremista, por parte de sua família. Em um não-tão-belo-dia ele descobre que as vozes em sua cabeça não são fruto de uma doença, mas sim de uma entidade esotérica milenar que voltou para concluir sua vingança contra o domínio cristão, e está disposta a matar toda a família desse garoto, caso ele não parta para uma jornada solitária e totalmente aquém de sua vivência dentro de quatro paredes.

Sobre polêmica com protagonista esquizofrênico e mãe religiosa

De início eu pensei que seria uma cena muito mais complexa de se escrever. Como você disse, são temas complexos e que exigem certo estudo sobre o caso. Porém, a mãe do protagonista ganhou vida e deu um tom melhor do que eu queria, resumindo, ela rouba a cena, assim como boa parte dos extremistas que se mostra mais doente do que qualquer um com laudo médico em mãos. Enfim, era esse o tom que eu precisava para passar ao leitor sobre como foi a vida desse protagonista, então Norma caiu do céu pra essa história (ou subiu do inferno).

O conceito

É impossível reinventar a roda, de forma que “Asas, Pingentes e Imortais” é fruto do meu consumo sob os mais diversos formatos narrativos que absorvi dos 90s até hoje. Dado isso, se pararmos pra dissecar a obra minuciosamente será fácil encontrar referências que vão desde “A Storm of Sword” e “American Gods” até “Yuyu Hakusho” com toques de “Matrix” no Backgroud (acho que pra quem nasceu nos anos 90 é impossível fugir de Matrix). E além dessas, há muitas outras referências que deixariam essa resposta gigantesca, então preferi citar as principais.

Capa de Storm of Swords

Se for pra ser mais preciso, podemos listar as influências da seguinte forma:

American Gods: A motivação de como você pode juntar variadas religiões e criar um universo muito maior do que os batidíssimos Apocalipses, Cataclismos e Fins do Mundo.

Yuyu Hakusho: Me motivou na quebra do clichê, visto que foi um dos primeiros animes a quebrar a “ditadura da armadura” que gerou Cavaleiros dos Zodíaco, Samurai Warrios, Guerreiras Mágicas, etc… e deu liga a todos os Tokusatsus que perduram até hoje. Yuyu, por sua vez, só precisou de dois anos para superar todas as expectativas e trazer um universo onde um cara sem camisa pode receber golpes que destruiriam montanhas. (risos)

Yu Yu Hakusho

A Storm of Swords: A tormenta das espadas não é só o livro da minha vida, mas também uma aula de formação de universo. Nele, G. R. R. Martin cria protagonistas (é o terceiro livro de uma série) trabalha cultura e trama políticas, destrói núcleos inteiros e bombardeia os sentimentos do leitor mais do que qualquer psicotrópico seria capaz de fazer.

Matrix: Daí vem a ideia clássica do “Tudo o que vivemos é uma mentira?”. A simples possibilidade do universo sair dos livros e colocar o leitor/espectador pra pensar se, enquanto ele folha o romance, anjos não estão destruindo o planeta e apagando sua memória para que tudo não passe de um sonho. Enfim, é uma ideia muito presente não só nesse romance, como nos próximos que tenho planejado.

A chama inicial

O maldito “E se…”. Sempre ele! Um belo dia estava lendo “A Tormenta das Espadas” (olha ele aí de novo!). Onde vários vilões da trama ganham pontos de vista e acabam por se revelar extremamente cinzentos e motivados por coisas legais. Daí surgiu o “E se uma história de anjos fosse retratada pelo ponto de vista de uma entidade perseguida pelos mesmos?”. E pronto, tá aí a ideia.

Sobre minha primeira obra, prefiro deixar os detalhes em segredos que jamais serão revelados (risos). Assim como todo jovem escritor de fantasia, a primeira ideia errônea era a de criar uma história em três, quatro ou cinco livros. Afinal, se JK fez… Porém, uma alma muito sábia me fez desistir dessa ideia, pois além de eu não estar preparado, parte dos medos de um editor situam-se em escutar “invista na minha octalogia (não sei se essa palavra existe), será incrível, você vai ver!”. Por isso decidi deixa-la na gaveta até o dia de eu for digno dela.

Processo criativo e raízes

Em todo projeto que faço eu costumo fazer uma escaleta e, se preciso, um gráfico espinha de peixe para prevenir alguns problemas futuros. Claro que se eu for me aprofundar, há muito mais minúcias que levam ao processo final, mas entre os dois tipos de produção do qual sou íntimo (e provavelmente em qualquer outra, pois é vício do mundo corporativo haha).

Infância e influências

Putz, minha infância foi chata demais, digo, monótona. Por muito tempo eu fui trancado em casa por meus pais superprotetores, e quando a gente fica muito tempo sozinho, de duas uma: Ou enlouquece, ou cai no ócio criativo. Eu passei a escrever minhas primeiras histórias aos sete anos, com umas fanfics de desenhos assistidos no SBT e na TV Cultura, desde então eu tenho um bom faro para narrativas (o que sempre me rendeu boas notas em redação).

Cultura e entretenimento

O escritor que não consome narrativas (principalmente literatura em prosa) será um cara frustrado e não-publicado. Hoje, ainda que eu tenha a teoria de que o dia era mais longo quando eu era criança, dedico minhas horas “vagas” à séries, animes e livros. Atualmente, minha atenção está voltada ao anime “monster”, ao livro “Jantar Secreto — Raphael Montes” e a rever as seis temporadas de Game Of Thrones com uns amigos.

Não sou muito de filmes e novelas.

Influências atuais

George R. R. Martin, como já citei lá em cima e Chuck Palahniuk, que junto do primeiro nome formam meus gurus espirituais imaginários. Além deles, tenho um grande apreço por Charlie Brooker, David Fincher e Vince Gilligan.

Chuck Palahniuk

Autores que não gosta

Pergunta capciosa, hein? Não há um autor que eu “não goste”, mas posso dizer que não leria mais nada do Dan Brown, dado sua escolha editorial por repetir o mesmo roteiro em suas tramas, isso me cansa bastante. Como ShowRunner, minha lista de bloqueio conta com o pessoal de The Walking dead (pelo mesmo motivo do Dan Brown) e também posso citar meu relacionamento de amor e ódio com Tite Kubo e Masashi Kishimoto, que ao meu ver, deixaram a peteca cair em obras que tinham tudo para ser perfeitas.

Criatividade é:

Pra ser sincero eu nunca pensei nisso. Perguntas como “O que é criatividade?” ou “O que é arte?” me parecem mais semânticas do que exatas. Talvez soe vazio dizer que criatividade é a capacidade de criar, e que criativo é aquele que tem mais facilidade para concluir o ato de criar, isso é muito óbvio, mas é isso o que eu acho rs. Pode cortar essa resposta, se achar melhor.

Escritor jardineiro ou arquiteto:

Apolo ou Dionísio? Yin ou Yang? Humanas ou Exatas? Pra todas as perguntas dualistas eu tenho a mesma resposta: Ambos se completam. Eu sou um pouco mais Arquiteto do que Jardineiro, porém, se eu fosse 100% arquiteto, jamais modificaria minhas tramas, e prefiro uma morte horrível do que mostrar pro mundo o que eu estruturo à portas fechadas. É muito ruim.

Você acordou com 16 anos de idade: O que você faz?

Vender tudo e investir em ações do Facebook. Motivos óbvios. haha

O futuro:

Atualmente estou vivendo meus projetos futuros, e só pretendo pensar em outros quando começar a ver os frutos dos atuais.

Nada é mais desafiador do que um espaço em branco: Escreva o que lhe vier a mente

Agora sobra agradecer pela entrevista e pelas perguntas um tanto quanto “diferentes” que recebi. Espero que o pessoal goste do que leu, apesar de eu n me considerar interessante o suficiente para que isso ocorra (risos). E por fim, deixo também o conjunto da obra do “12 Trabalhos” para que o pessoal avalie e diga se fui fiel às minhas respostas. Muito obrigado! =)

Links do autor:

Facebook: facebook.com/juve.oliveira

Twitter: twitter.com/Juve_xDD

Página 12 Trabalhos: facebook.com/12trabalhos/

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