O Amor E Seus Clichês

Um dia desses um amigo me perguntou a razão pela qual eu escrevia sobre romances e sobre o amor, e se eu não achava isso tão clichê. Eu não pude responder com total certeza naquele momento. Alguns dias haviam se passado e eu pensei bastante na pergunta que havia sido feita, refletindo sobre o motivo que me fizera ser um escritor com uma veia romântica tão forte. A verdade é que deveria ser fácil para mim, responder uma pergunta como essa.

Acontece que na prática era tudo bem diferente do que eu imaginei.

Não há uma razão especifica para escrever sobre o amor. Não se pode explicar porque alguns escritores tem a preferência em escrever sobre o amor. Eu diria que o principal motivo ao optar por essa escolha, é que a escrita nada mais é que: O transbordar de sentimentos que não cabem mais em si. É como se houvesse uma necessidade incontrolável de pôr para fora todos aqueles sentimentos que se encontravam presos na nossa mente. Ou até mesmo de tornar “real”, cenários que nunca aconteceram, senão, dentro das nossas cabeças.

E quanto ao amor ser clichê?

Diga-me uma coisa mais clichê que o amor.

Exato.

Não há.

O amor acontece todos os dias, todas as horas, todos os minutos e segundos. Neste mesmo instante em algum lugar do mundo há um casal de adolescentes descobrindo como é amar pela primeira vez. Há um casal de idosos, felizes e casados há mais de trinta anos, tomando um café em qualquer pequena cafeteria. Há também um casal de jovens terminando.

Porque isso, também, é amor.

O amor é o primeiro beijo que se dá naquela pessoa que você gosta. É não querer abrir os olhos depois do beijo por ter medo de que tudo não passe de um sonho. É aquele sorriso que você dá ao conversar com quem você sente algo, mas nunca revelou tal fato. É o abraço que se dá. É o perfume que fica na camiseta. É a mensagem repentina no meio da tarde. É adormecer dentro de uma abraço apertado. É a felicidade que fica no peito quando você está indo encontrar determinada pessoa. É a discussão sem sentido que vocês tiveram noite passada. É aquele arrependimento no dia seguinte. É reconhecer quando errou. É saber dizer a hora de parar a discussão porque você não aguenta mais ficar longe dela. É aparecer no meio da noite na casa dela, porque você não aguentou ficar longe por muito tempo.

É saber ser calmaria pra quem é tempestade.

Há milhares formas de se identificar o amor.

Mas há somente uma que consegue não ser clichê, não importa quantas vezes se faça tal ato.

Três palavras.

Um sentimento.

É dizer “eu te amo”.

Verbalizar um sentimento como o amor, é mais poderoso do que qualquer coisa que você faça nessa vida. Porque é preciso coragem pra dizer que se ama alguém, verdadeiramente. É preciso coragem pra bater no peito e falar “me deixa cuidar de você” ou“eu quero que você seja só minha”. Porque uma vez dito, não se pode voltar atrás.

Não se pode amar alguém, por engano.

Acima de tudo, acho que no fim das contas, todos queremos um pouco desse clichê para nossa vida.

Não importa se for repetitivo, clichê, ou o que quer que seja.

Não tenha medo de ser clichê

Tenha medo de não ser.

Não ser alguém.

Não ser romântico.

Mas principalmente, de não ser amor.

TRILHA:

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